Miguel Falabella recorda barreiras no início da carreira: ‘A sexualidade poderia restringir os papéis’

Miguel Falabella, de 69 anos, voltou a refletir sobre os desafios que enfrentou ao longo de sua trajetória artística por causa do preconceito relacionado à sexualidade. O ator, diretor e dramaturgo comentou o assunto ao falar sobre seu mais recente trabalho nos palcos, uma produção que também dialoga com questões ligadas à identidade, liberdade de expressão e diversidade.
Atualmente vivendo um relacionamento com o empresário Alexandre Altoe, de 39 anos, Falabella destacou que o cenário social mudou significativamente nas últimas décadas, mas lembrou que nem sempre foi possível abordar esses temas de maneira aberta e natural.
Segundo o artista, quando iniciou sua carreira, falar publicamente sobre sexualidade era algo cercado de tabus e julgamentos. Ele ressaltou que o preconceito era muito mais presente e que muitos profissionais precisavam lidar com limitações impostas pela sociedade e pelo próprio mercado de entretenimento.
“Hoje é até ‘jurássico’, de mau tom, falar da sexualidade dos outros. As pessoas são o que são e acabou, mas há 40 anos havia muito preconceito”, relembrou Falabella.
Intolerância do passado
O ator contou ainda que a intolerância daquela época podia afetar diretamente as oportunidades profissionais. Em muitos casos, a orientação sexual de um artista era vista como um fator capaz de influenciar a escolha de personagens e projetos, criando obstáculos adicionais para quem desejava construir uma carreira sólida.
“Não existia falar disso abertamente, as pessoas sempre foram de extrema crueldade. E a sexualidade também poderia restringir os papéis de um ator. Eu driblei tudo isso, mas, para sobreviver, tinha que ser forte”, completou.
Apesar das dificuldades enfrentadas no passado, Falabella reconheceu que houve avanços importantes nas discussões sobre diversidade e identidade ao longo dos anos. Para ele, o debate atual é muito mais amplo e inclusivo do que aquele vivenciado por sua geração.
Ainda assim, o artista acredita que é fundamental manter viva a memória das experiências enfrentadas por pessoas que conviveram com períodos de maior discriminação. Segundo ele, compreender o passado é uma forma de valorizar as conquistas alcançadas e evitar retrocessos.
“A discussão de gênero avançou bastante, mas é importante que o passado não suma, até por reverência a quem passou por isso”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.
As declarações surgem em meio à preparação de seu novo projeto teatral, o musical “Victor ou Victoria”. A produção acompanha a trajetória de uma cantora sem trabalho que encontra uma oportunidade inesperada para transformar sua vida artística na Paris dos anos 1930.
Na trama, a personagem principal passa a se apresentar como um homem que, por sua vez, realiza performances femininas, criando uma narrativa que aborda questões relacionadas à identidade, aparência e aos papéis sociais impostos pela época.
Além da direção e do envolvimento criativo de Falabella, o espetáculo reúne nomes conhecidos do público, como Alessandra Verney, Maria Clara Gueiros e Junno Andrade. A montagem promete combinar humor, música e reflexão, revisitando temas que continuam despertando debates relevantes na sociedade contemporânea.



