Geração Z troca aliança de namoro por tatuagem e pingente com foto

Casais têm abandonado o tradicional anel de compromisso para dar lugar a outros símbolos. Entre as tendências, adotadas sobretudo pela geração Z, estão tatuagens, colar com a foto do casal e pulseiras combinando.
A atriz Angelina Jolie rompeu o padrão ainda no início dos anos 2000, quando usou uma corrente com um pequeno frasco com o sangue de seu então marido, o ator Billy Bob Thornton. Entre os exemplos mais recentes entre os famosos, Zendaya e Tom Holland tatuaram as iniciais um do outro na costela. A advogada e apresentadora Gabriela Prioli também tem uma tattoo com a inicial do parceiro, Thiago Mansur, no anelar esquerdo.
A aliança funciona como marcador simbólico de um compromisso e o torna visível para a sociedade, explica Veruska Vasconcelos, psicóloga coordenadora do Hospital Alvorada Moema. Seu significado costuma ser associado a questões religiosas e morais. “Antigamente, não tinha como não estar no dedo.”
Se antes essa oficialização do companheiro era uma etapa esperada na vida de um adulto, hoje muitos jovens questionam esses rituais e a ideia de que o anel representa propriedade, ou seja, marca que “alguém tem dono”.
“Eles ainda prezam por esse compromisso, mas mostram de uma forma diferente. A aliança em si é trocada por outras situações que fazem mais sentido para eles.”
Para a psicóloga intercultural Andreia Batista, os nascidos entre 1997 e 2009 tendem a valorizar mais o que o casal pode construir junto a partir de comportamentos, e não de um objeto. “Essa mudança veio porque a geração Z está mais preocupada em qualidade do que em demonstrar algo para a sociedade”, afirma.
Uma das explicações, segundo Batista, é que esses jovens cresceram vendo muitos divórcios sendo concretizados. Além disso, valorizam mais a individualidade dentros das relações, e novos formatos de relacionamentos surgiram.
As redes sociais também mudaram essa dinâmica e a forma como as pessoas assumem um relacionamento, observa a psicóloga intercultural.
“Eles colocam fotos nos stories, e isso representa muito mais. A presença digital do parceiro tem mais valor do que a aliança”, afirma.
Muitos, porém, ainda relatam necessidade de ter um símbolo de compromisso, afinal é uma forma de se sentir pertencente, diz Vasconcelos. “É como se fosse um pacto.” A tatuagem então surge como o modo mais forte de demonstrar essa conexão, já que é permanente, ela observa.
Nenhum desses símbolos, no entanto, são indicadores de fidelidade, concordam as psicólogas.
“O que importa realmente na construção de um vínculo é o propósito e a confiança. Esteja com ou sem aliança”, afirma Maria Tereza Maldonado, psicóloga especializada em terapia de família e autora de livros sobre relacionamentos.
Para ela, em uma época em que novas formas de se relacionar são debatidas, quem usa um anel ou outro símbolo mostra querer marcar uma posição diferente. “Pode significar: eu não estou nessa onda, eu quero uma relação comprometida”, diz.
Também pode acontecer de um parceiro querer aliança, mas o outro, não. Para esses casos em que há divergência, a terapeuta de relacionamentos orienta buscar um consenso. “Se para uma pessoa é importante, ela usa. Se para outra não é, ela não usa.”
No fim das contas, o que importa é que ambos compartilhem o mesmo sentimento e tenham as mesmas expectativas quanto à relação.
Informação
Folha de São Paulo



