Política

Governador interino mexe no Ceperj, órgão no centro de denúncia contra Castro

A reforma do governo do Rio empreendida por Ricardo Couto chega agora à Fundação Ceperj. O órgão, voltado à produção de estatísticas, pesquisas e formação de servidores públicos, deixa a Casa Civil e retorna para a Secretaria estadual de Planejamento e Gestão (Seplag), de onde saiu em 2020. A mudança foi publicada no Diário Oficial e, na prática, recoloca o Ceperj sob o guarda-chuva técnico, em posição estratégica de apoio à gestão.

A fundação nos últimos tempos ficou marcada pelo caso envolvendo a contratação de fantasmas na eleição de 2022 que levou à condenação do ex-governador Cláudio Castro (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com informações do governo a VEJA, o Ceperj rodou por diferentes pastas dentro do governo  nos últimos anos. Há cinco foi retirado da Seplag para ser abrigado na Casa Civil. Depois, passou para a Secretaria de Ciência e Tecnologia. De lá, voltou para a Casa Civil, onde estava quando Couto assumiu.

A transferência para o Planejamento faz parte do conjunto de ações direcionadas, segundo o governo, a uma maior transparência e eficiência da máquina pública. O Palácio Guanabara afirma que o objetivo é fortalecer o Ceperj, com uma atuação de apoio técnico especializado na produção de conhecimento e de estatísticas voltados à gestão. “A medida visa contribuir para os processos de trabalho de planejamento de longo prazo, planejamento institucional, de gestão do conhecimento e desenvolvimento do corpo funcional do Estado do Rio de Janeiro”, informa o estado.

O caso Ceperj

Pela denúncia que tornou Cláudio Castro inelegível até 2030, houve durante as eleições de 2022 uso político do Ceperj e da Uerj com as chamadas “folhas secretas” –  contratações de servidores temporários, sem amparo legal – e a descentralização de projetos sociais para enviar recursos para entidades desvinculadas da administração pública. A conta de contratados chegou a 27.665 pessoas, totalizando gastos de R$ 248 milhões. No último dia 2, o TSE negou recurso de Castro, cuja defesa afirma que faltam provas sobre a responsabilidade pessoal do político pelas irregularidades.

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