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Lula pressiona Márcio França em um xadrez que envolve palanques para a eleição

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Responsável pela articulação que levou Geraldo Alckmin ao PSB e à chapa com Lula em 2022, Márcio França sempre cedeu ao petista. Desistiu de ser candidato a governador há quatro anos para apoiar Fernando Haddad, ganhou um ministério como consolação (Portos e Aeroportos) após ser derrotado na campanha ao Senado, mas cedeu novamente ao aceitar uma pasta menor (Empreendedorismo) para que Lula pudesse agradar ao Centrão durante uma dança das cadeiras na Esplanada em 2023. Agora, está diante de nova pressão para ceder mais uma vez, renunciando a sua candidatura ao Senado para se tornar vice de Haddad na chapa que tentará chegar ao governo de São Paulo, algo que o PT nunca conseguiu. A operação é de novo conduzida por Lula, mas desta vez o xadrez é bem mais complexo e envolve até palanques de outros estados.

A pressão é iniciativa de Lula, que já falou com França sobre a ideia no final de maio. Na cabeça do petista, não há chance de a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) não ser uma das candidatas ao Senado por São Paulo. A outra vaga está comprometida com Simone Tebet (PSB), que, a pedido do presidente, deixou Mato Grosso do Sul para disputar a eleição paulista. Com três nomes para duas cadeiras, o deslocamento de um deles para a vaga de vice resolveria o problema. Mas Tebet já deixou claro que não foi para isso que mudou de estado. A opção por Marina ao lado de Haddad foi rejeitada por PSOL e Rede, que compõem uma federação. “Se a Marina tivesse deixado a Rede para voltar ao PSB, hoje não teríamos esse problema”, disse um político envolvido na articulação entre PT, Rede e PSB para solucionar o imbróglio. A solução, portanto, seria a “operação França”.

TRIO - Ex-ministros na disputa paulista: Tebet e Marina não abrem mão de candidaturas (Diogo Zacarias/.)

As variáveis que poderão definir o destino dele, porém, vão além do tabuleiro paulista. O PSB coloca na mesma mesa de negociação o apoio petista a seus candidatos ao governo em Minas e Pernambuco. No primeiro, Lula não tem um palanque, e o PSB tem quatro pré-candidatos (leia a reportagem na pág. 42). Já em Pernambuco, o PT parece querer ficar com um pé em cada canoa — João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) —, um problema e tanto para Campos, ex-prefeito do Recife e presidente nacional de seu partido (leia a entrevista com Raquel Lyra em Páginas Amarelas). Além disso, o PSB diz que já colaborou com Lula ao ceder a legenda para abrigar o projeto eleitoral de Tebet, que teve de deixar o MDB.

A ida de França para a vaga de vice de Haddad resolveria um problema: a necessidade de ampliar o eleitorado. Ele é considerado um político com perfil mais de centro, até pela proximidade com Alckmin, de quem foi vice-governador entre 2015 e 2018, quando assumiu o posto após renúncia do titular para ser candidato ao Planalto. França construiu uma boa relação com políticos do interior paulista, cujo eleitorado é conservador e arredio ao PT. Por outro lado, fechar com ele deixaria mais restrita a chapa de Haddad, formada por aliados de sempre, com quem o PT já caminhou em outras derrotas em São Paulo (PSB, PSOL, Rede, PDT e PCdoB). No início da pré-campanha, havia a expectativa de atrair mais gente do centro para ampliar o palanque. O adversário de Haddad, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), já tem o apoio de oito siglas.

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Gráfico de barras horizontais mostrando dois cenários de pesquisa eleitoral para o Senado em São Paulo. No Cenário 1, Marina Silva lidera com 36,6%, seguida por Simone Tebet com 34,3% e Guilherme Derrite com 25,1%. No Cenário 2, Marina Silva tem 37,4%, Márcio França 27,1% e Guilherme Derrite 25,8%

A formação da chapa ao Senado em São Paulo é estratégica para Lula por um outro motivo: a necessidade de barrar uma onda conservadora na Casa. No estado, há nomes fortes à direita, como o ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL) — apoiado por Eduardo Bolsonaro —, e o ex-ministro Ricardo Salles (Novo). As pesquisas mostram que Tebet e Marina são competitivas, mas França também tem bom desempenho. O desfecho do imbróglio passa pelas negociações com o PSB pelo país, mas principalmente por Lula, que acena mais uma vez com um ministério a França caso Had­dad, como em 2022, perca de novo em São Paulo — isso, claro, se o presidente for reeleito em outubro.

Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999

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