Política

O número mais preocupante para Flávio Bolsonaro na nova Quaest não é o mais óbvio

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A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana trouxe um sinal de alerta que vai além da fotografia tradicional das intenções de voto. Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permaneça como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026, os números indicam uma deterioração mais profunda em indicadores considerados estratégicos por campanhas eleitorais: rejeição e capacidade de atrair eleitores independentes.

Os levantamentos das últimas semanas já apontavam um desgaste provocado pela sequência de crises envolvendo o senador, especialmente após a divulgação dos áudios relacionados ao caso Banco Master. A nova rodada da Quaest sugere que esse movimento pode não estar restrito às oscilações momentâneas das intenções de voto.

Por que a rejeição preocupa mais do que a perda de votos?

Em campanhas eleitorais, a rejeição costuma ser observada com atenção especial porque representa um eleitor mais difícil de reconquistar. Enquanto a intenção de voto pode oscilar conforme o ambiente político e econômico, a rejeição tende a refletir percepções mais consolidadas sobre um candidato.

Nos bastidores, estrategistas costumam avaliar que quedas nas intenções de voto podem ser revertidas ao longo da campanha. Já o crescimento da rejeição exige um esforço maior de reconstrução de imagem.

Os dados divulgados nas últimas pesquisas mostram que parte do desgaste enfrentado por Flávio não está migrando diretamente para outros candidatos da direita. Em muitos casos, os eleitores estão optando pela indecisão ou pelo voto branco e nulo, sinalizando desconforto com o cenário atual sem enxergar uma alternativa competitiva.

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O eleitor independente está mudando de posição?

Outro aspecto acompanhado de perto pelos partidos é o comportamento dos eleitores sem alinhamento partidário definido.

Segundo a análise apresentada pelo diretor de Inteligência da Quaest Guilherme Russo, a disputa em torno das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e da aproximação entre Flávio e o presidente americano Donald Trump passou a produzir efeitos justamente nesse segmento do eleitorado.

Durante participação no programa Ponto de Vista, Russo afirmou que temas ligados ao tarifaço tendem a ser associados mais ao senador do PL do que ao governo brasileiro. “A população brasileira, os independentes, associam mais ao Flávio”, afirmou.

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O tarifaço pode ampliar o desgaste?

A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores sobre a crise comercial entre Brasil e EUA. Segundo a Quaest, 47% dos entrevistados concordam com a avaliação de Lula de que Flávio tem responsabilidade pela escalada das tensões comerciais, enquanto 35% concordam com a versão apresentada pelo senador.

Para Russo, o tema tem potencial para continuar produzindo impactos políticos nas próximas semanas. “Quanto mais isso se estender e o governo conseguir deixar isso claro para a população brasileira, isso tende sim a ser negativo para o Flávio e mais positivo para o presidente Lula”, disse.

A polarização continua intacta?

Apesar dos sinais de desgaste, a pesquisa não aponta, ao menos por enquanto, uma ruptura da polarização entre lulismo e bolsonarismo.

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Flávio continua aparecendo com ampla vantagem sobre os demais nomes da direita e segue como o principal adversário do presidente nas simulações eleitorais.

O desafio para sua campanha, porém, parece ter mudado de natureza. Mais do que recuperar alguns pontos nas intenções de voto, o objetivo passa a ser conter um processo de desgaste que atinge justamente os segmentos decisivos para uma eleição nacional: os independentes e os eleitores que ainda não escolheram um lado na disputa.

VEJA+IA: Este consolidado de pesquisas foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

 

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