Grãos recuam em Chicago após novas projeções de oferta global


As mais recentes estimativas de demanda e oferta global de grãos mostram um quadro favorável para a disponibilidade de soja, milho e trigo. Sob esse cenário, os preços caíram na bolsa de Chicago, com destaque para o milho. Nesta quinta-feira (11/6), os lotes do cereal para julho caíram 1,73%, a US$ 4,1175 o bushel.
A mais recente estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra global de milho pressionou os futuros na bolsa. O órgão americano projeta a produção global de milho em 1,3 bilhão de toneladas no ciclo 2026/27, 0,39% maior em relação à estimativa de maio.
Para os Estados Unidos, o USDA estimou que a produção deve alcançar 406,29 milhões de toneladas, mesmo valor estimado no relatório de maio. Em outro grande player de milho, o Brasil, a estimativa permaneceu em 139 milhões de toneladas.
Para Leonardo Martini, analista em gerenciamento de riscos da StoneX, a previsão de maior oferta global deu o tom negativo para os futuros em Chicago. Mas, segundo ele, o dado que mais pesou para o mercado foram as previsões para a Índia, onde o USDA acrescentou quase 8 milhões de toneladas em sua previsão mensal.
Outro destaque foi os novos números para a safra do Brasil, referente ao ciclo 2025/26. A produção total no país passou de 135 milhões de toneladas em maio para 138 milhões no relatório deste mês.
Soja
O preço da soja voltou a cair em Chicago após novas previsões de oferta. Os lotes para julho fecharam em queda de 0,71%, a US$ 11,15 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos trouxe números favoráveis para a safra do país, que está em fase final de plantio. O departamento manteve a previsão de colheita em 120,7 milhões de toneladas. Também não houve mudanças para as exportações, que ficaram em 44,36 milhões, para os estoques finais, ficando em 8,44 milhões de toneladas.
“Após euforia vivida pelo mercado, com maior demanda por biodiesel, questões relacionadas com a guerra e o petróleo, agora ele deve acompanhar o desenvolvimento da safra. O preço acima de US$ 12 o bushel parecia exagerado quando a gente olha para os fundamentos de oferta atualmente”, avalia Leonardo Martini, da StoneX.
Trigo
O trigo interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e caiu na bolsa de Chicago. Os contratos para julho fecharam em baixa de 0,13%, a US$ 5,8675 o bushel.
Em partes, as cotações foram impactadas por novas projeções de oferta mundial. O mundo deve produzir 820,06 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, segundo o USDA.
O número é um milhão de toneladas superior ao do relatório de maio. A avaliação é a de que o aumento da colheita em países como Rússia, Ucrânia e Turquia deve compensar a redução em produtores como Austrália.
Para os Estados Unidos, onde os números geralmente trazem impacto para Chicago, a previsão de safra passou de 42,49 milhões para 42,01 milhões de toneladas.
Globo Rural



