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Lula está gastando 1,4 bilhão de reais por dia nesta temporada eleitoral. É uma combinação de aumento de despesas com redução de receitas (via subsídios financeiros) que, por manobras governamentais, ficou à margem do Orçamento. Não há ilegalidade aparente, mas predomina uma certa ideia de informalidade nas contas públicas.

Uma pista sobre a dimensão desses gastos extras em plena temporada eleitoral foi levantada pelo economista Marcos Mendes. Ao pesquisar 33 medidas anunciadas pelo governo entre janeiro e maio, ele encontrou 215 bilhões de reais em aumento de despesas e redução de receitas fora dos padrões de controle fiscal.

É despesa bilionária que avança num ritmo significativo: gastos extras de 58 milhões de reais por hora, média de 970 000 reais por minuto.

Essa dinheirama sustenta as ofertas governamentais direcionadas a segmentos relevantes do eleitorado — entre eles, pessoas endividadas; estudantes carentes; motoristas de caminhão, de táxi e motoqueiros. Mas não é só. Financia, também, subsídios ao consumo de combustíveis nos postos de abastecimento, na produção industrial e no agronegócio, para mitigar o impacto da alta de preços do petróleo (mais de 50% nos primeiros cinco meses) provocada pela guerra no Oriente Médio.

Quem quiser pode acreditar em mera coincidência entre o descontrole nas contas e os objetivos da campanha para reeleição presidencial. Como diz Jane Wagner, autora da comédia À Procura de Sinais de Vida Inteligente na Terra, a capacidade de se iludir pode ser uma valiosa ferramenta de sobrevivência. Na vida real, Lula repete Jair Bolsonaro, a quem criticava por torrar cerca de 300 bilhões de reais em 2022 durante a campanha de reeleição, e mesmo assim perdeu.

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Há meses, Lula gasta como Bolsonaro na tentativa de mudar suas taxas de rejeição e de avaliação negativa do governo. Conseguiu muito pouco até agora. Continua rejeitado por mais da metade dos eleitores, embora tenha perdido a liderança nesse campeonato para o adversário Flávio Bolsonaro. Enrolado no caso de fraude financeira bilionária do Banco Master, o candidato do Partido Liberal avança na direção dos dois terços de repúdio, patamar que já alcançou (64%) no estrato de eleitores autodeclarados independentes, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira, 10.

“Lula gasta 1,4 bilhão de reais por dia em busca da reeleição”

O eleitorado se mantém ácido na crítica à gerência da economia. Sete em cada dez seguem achando que seu poder de compra diminuiu em relação há um ano. Esse quadro pode piorar, porque a comida, cada vez mais cara, representa um novo problema eleitoral para Lula.

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Na cidade de São Paulo os preços dos alimentos aumentaram (3,9%) entre janeiro e maio. Significa o dobro da inflação geral (1,9%) apurada no período. Esse resultado apurado pela Fipe/USP confirma a tendência detectada nos últimos dois meses nas outras 26 capitais pela fundação Dieese na pesquisa mensal sobre o valor da cesta básica.

Preços dos alimentos em alta persistente sempre é notícia ruim para qualquer presidente. Sobretudo, durante uma temporada de caça a votos para reeleição. E fica pior quando acontece na metrópole onde vivem 9,3 milhões de eleitores — é o quinto colégio eleitoral, depois dos estados de São Paulo (34,4 milhões), Minas Gerais (16,4 milhões), Rio de Janeiro (13 milhões) e Bahia (11,2 milhões).

Há quem veja o país encalacrado numa deterioração progressiva das contas públicas, que imobiliza o governo e corroí as perspectivas de desenvolvimento. É o caso de Marcus Pestana, economista e ex-deputado federal, que dirige a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado: “Nunca fui um ortodoxo fiscalista, cabeça de planilha, mas estamos empurrando a crise com a barriga e perseguindo um horizonte medíocre. Precisamos crescer e investir em infraestrutura 20% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano. No entanto, seguimos perdidos num labirinto de problemas fiscais somados ao endividamento crescente, à insegurança jurídica e à baixa produtividade. É receita de asfixia nacional, lenta, gradual e segura”.

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O modelo de governar sustentou juros extremamente elevados nas últimas três décadas. Na semana passada, enquanto segmentos do Estado brasileiro anunciavam suspensão de serviços públicos por falta de recursos, no mercado financeiro operava-se com a perspectiva de aumento da taxa de juros acima da inflação (dos atuais 7% até 9%) cobrada em títulos de dívida com vencimento marcado para o próximo governo. Não haverá dia fácil para quem for eleito.

Os textos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de VEJA

Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999

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