Aos 57 anos, galã de TV detalha o inimigo invisível que o fez pensar que não sobreviveria

Imagine estar no auge da carreira na televisão e começar a sentir um medo incontrolável de sair de casa ou de estar em lugares públicos. Esse foi o obstáculo enfrentado por um conhecido rosto das novelas brasileiras, que lidou de perto com a agorafobia entre os anos de 2002 e 2006. Em uma entrevista ao colunista Daniel Castro, publicada pelo portal Notícias da TV, o artista detalhou que a sua primeira crise aconteceu de maneira inesperada e assustadora. “Eu estava no banho e, de repente, sem mais nem menos, meu coração disparou. Tive uma taquicardia muito forte e pensei: ‘Meu Deus, vou morrer’”, relatou ele, explicando que o pânico afetou até a sua libido na época.
O problema psiquiátrico trouxe desafios para a sua rotina e o colocou em situações extremas. Durante uma viagem de avião entre São Paulo e Rio de Janeiro, o desespero bateu forte. Para tentar controlar a ansiedade e diminuir a adrenalina, ele seguiu uma recomendação médica no mínimo inusitada: levantou da poltrona, trancou-se no banheiro da aeronave e começou a pular. “Acho que as pessoas imaginaram naquele momento que eu havia me drogado, mas eu estava tendo um ataque da doença”, confessou. Em outra tentativa de aliviar os sintomas, ele chegou a ir para a varanda do seu apartamento e passou a contar as ondas que quebravam na praia, sem sucesso.
O dono dessa história real de superação, que na ficção costumava correr sem camisa para enfrentar bandidos e salvar o dia, é o ator Marcos Pasquim. Atualmente, com 57 anos, o eterno galã de tramas de ação mostrou que a saúde mental é um desafio que não escolhe endereço. A primeira crise, inclusive, ocorreu bem nos bastidores das gravações da minissérie O Quinto dos Infernos, um dos maiores trabalhos de sua trajetória.
A recuperação e o tratamento
Hoje, esse período de crises é uma página virada na vida do ator, consolidando uma matéria de superação que serve de informação e alerta. A recuperação exigiu paciência. Após se fixar na capital fluminense, o ator ajustou a medicação e seguiu um tratamento durante quatro anos.
Conforme explicou ao Notícias da TV, a reta final envolveu o processo de “desmame” dos remédios: ele passou de duas cápsulas diárias para uma, depois para meia, seguindo em dias alternados até parar por completo. Com alta médica há mais de 12 anos, Pasquim leva uma rotina normal.
A precaução que resta é simples: ele evita situações que geram fortes descargas de adrenalina, como andar de montanha-russa, para não desencadear novos gatilhos.
Muito além da televisão
A biografia de Marcos Fábio Prudente tem passagens curiosas antes da fama. O paulistano estudou em um colégio de freiras na Zona Norte de São Paulo e teve uma vida profissional bem variada. Ele trabalhou como programador de computadores, vendedor, modelo, jogador de vôlei e até atuou no jogo do bicho.
Na arte, começou em 1984 cantando na banda adolescente Explosão. O grupo fez barulho em programas como o Cassino do Chacrinha e o Programa Raul Gil, rendendo aos jovens o título de “Menudos do Brasil”.
O destaque nas novelas
A transição para a atuação ocorreu após cursos de teatro, estreando na Rede Globo na novela Cara e Coroa (1995). Ganhou projeção vivendo personagens gêmeos em Chiquititas no SBT, mas foi a parceria com o autor Carlos Lombardi que marcou sua carreira na TV aberta. Ele encabeçou elencos de produções como Uga Uga, Kubanacan e Pé na Jaca.
Em 2009, fugiu do seu padrão de papéis ao viver o pintor Dênis em Caras & Bocas. Mais recentemente, em 2018, interpretou o pescador Marino em O Tempo Não Para. Pai de Alicia e Stefano, o artista segue o espiritismo e mantém sua vida pessoal reservada.
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