Política

O que Ricardo Couto disse a empresários em seu primeiro discurso como governador do Rio

Em seu primeiro discurso, nesta terça-feira, 16, o desembargador Ricardo Couto, que governa interinamente o Rio de Janeiro, negou qualquer pretensão política, criticou a gestão anterior, do ex-governador Cláudio Castro (PL), e prometeu encerrar o mandato-tampão com um superávit de pelo menos 1 bilhão.

“Por uma conjuntura política não esperada, aquele que se coloca no executivo não pretende eleição, reeleição, não pretende nada”, disse o magistrado em um almoço com empresários no Copacabana Palace, organizado pelo Lide.

Sem citar o ex-governador Cláudio Castro (PL), Ricardo Couto criticou o controle que vinha sendo exercido por deputados nas secretarias estaduais, com cotas de indicações políticas. O desembargador cortou mais de 3 mil servidores comissionados e iniciou uma auditoria ampla nos contratos públicos. Até o momento, não há informações sobre as conclusões do pente-fino.

“Conversando com alguns deputados, eles falavam ‘essa secretaria é minha’. Essa modalidade de gestão está certa? Quem é o gestor? É o chefe do Executivo ou o Legislativo? Nós devemos refletir até onde há uma captura e se ela é correta”, alertou o governador em exercício.

O desembargador exerce o governo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo em outubro, de substituí-lo. Couto afirmou que o STF fez a “opção pela segurança”. “A minha função é passar o bastão do governo àquele que vier a ser eleito legitimamente”.

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Couto defendeu que o estado vive um “momento de reflexão” e afirmou que só aceitou participar do evento privado com empresários para que “o que aconteceu no Rio de Janeiro não volte a ocorrer”. “Precisamos refletir sobre o que estava acontecendo”, pediu.

O desembargador também demonstrou simpatia pela possibilidade de o país retomar o financiamento privado de campanhas, extinto em 2015 por decisão do STF na esteira das denúncias de corrupção e caixa dois que vieram a público a partir da Operação Lava Jato, desde que sejam adotados critérios de transparência. “O político profissional pode ser capaz de onerar deveras o poder público”, afirmou. “Será que o financiamento privado é tão nefasto?”, completou.

A meta do desembargador, que assumiu o cargo no final de março, é deixar os cofres estaduais com um superávit de 1 a 5 bilhões de reais – cenário muito diferente do que vinha sendo projetado na gestão anterior, de 19 bilhões de déficit. “Eu não sei se nós vamos conseguir. Estabeleci uma meta ousada para pelo menos chegar a 1 bilhão”, contou. “Me coloco como governador por força constitucional, de forma passageira sim, mas buscando entregar a gestão dentro do adequado.”

A Secretaria da Fazenda traçou um plano de ajuste de contas baseado na redução de despesas de pessoal, adesão ao Propag, reestruturação da dívida bancária e das barreiras fiscais, cerco aos devedores contumazes, melhoria do ambiente econômico por meio da redução da burocracia e renovação de convênios de incentivos fiscais.

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