Petistas divergem sobre estratégia de busca por voto independente para favorecer Lula

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Parte dos coordenadores da pré-campanha de Lula nas redes sociais defende que os petistas desistam da estratégia de tentar atrair os chamados de eleitores independentes como alternativa para ampliar a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente na corrida ao Planalto.
Para essa ala da legenda, em vez disso, Lula precisa concentrar esforços em apenas atacar o filho de Bolsonaro na internet, visando aumentar a rejeição do senador junto ao eleitorado independente. Hoje, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apresentam índices de rejeição superiores a 50% nas pesquisas de intenção de voto.
Levantamentos recentes indicam que a disputa pela Presidência será acirrada e que a conquista do eleitorado independente – aquele que não se identifica nem como de esquerda, nem como de direita – deve ser um fator decisivo nas eleições. De acordo com uma pesquisa publicada pela Quaest na semana passada, eles somam cerca de 32% do eleitorado brasileiro.
Essa ala de estrategistas do PT não concorda com algumas apostas feitas pelo governo até aqui na tentativa de conquistar esses votos. Nos últimos meses, o Planalto intensificou campanhas pensadas em atrair uma parcela do eleitorado na qual o PT e o presidente encontram resistência.
A gestão petista apostava, por exemplo, que a decisão de isentar brasileiros que recebem salário de até 5.000 reais do Imposto de Renda seria um dos trunfos. O Planalto realizou uma série de publicações a respeito desse tema nas redes sociais para promover a ação, assim como parlamentares do partido e a militância de modo geral.
O resultado, no entanto, foi muito aquém do que os petistas esperavam. Alguns estrategistas da legenda confidenciaram que monitoramentos internos indicaram que a repercussão dessa medida nas internet foi “pífia”. O mesmo aconteceu com a campanha do governo Lula em defesa do projeto que coloca fim à escala 6×1 – uma das bandeiras que o presidente pretende encampar na campanha deste ano.
A avaliação é que uma boa parte do eleitor independente possui uma rejeição já cristalizada em relação a Lula. Por conta disso, o empenho para conquistar esse voto seria sempre em vão. “A gente não vai conseguir atrair o eleitor que não gosta do Lula falando de obra ou de investimento. Para essa pessoa, o Lula já é ladrão”, contou uma liderança que compõe a coordenação petista nas redes sociais.
Ao centrar fogo contra o senador, os estrategistas do PT apostam que a estratégia pode estimular o eleitor independente que só vota em Flávio Bolsonaro por falta de opção a não ir votar em outubro.
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