O novo PowerPoint do Master

A operação contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é uma boa oportunidade de revisar o PowerPoint do caso Master.
Em minha coluna de 28 de março, “O PowerPoint certo do Banco Master“, propus separar, no gráfico, quem foi acusado de roubar com o Master, de tentar salvar o Master e de receber dinheiro do Master. O que mais descobrimos desde aquele dia?
Jaques Wagner é acusado de receber dinheiro do Master através de familiares. Além disso, a decisão que autorizou a operação menciona conversas com Augusto Lima (um dos operadores do esquema) que, caso confirmadas, devem deslocar o senador baiano da seção “recebeu dinheiro” para “tentou salvar o Master”.
No meu PowerPoint de 28 de março, o PT da Bahia já estava na seção “roubou com o Master” pelas suspeitas envolvendo o CredCesta. Seria bom se a PF nos ajudasse a substituir a legenda pelo nome de pessoas concretas.
Já na direita a fila para entrar no PowerPoint é mais longa, e inclui peixes bem maiores.
O candidato a presidente da direita, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora domina o campo “recebeu dinheiro do Master”, mas a dúvida é se não deve migrar para “roubou com o Master”. Afinal, se Vorcaro lhe deu milhões, os governadores bolsonaristas deram bilhões (muito mais do que sabíamos em 28 de março) dos aposentados para o Master.
O mesmo raciocínio vale para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que a revista Veja acusa de receber R$ 150 milhões do Master. A previdência do Amapá, que colocou dinheiro dos aposentados no Master, é controlada por seus aliados.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, está na mesma: seus familiares receberam um empréstimo camarada do Master. Motta é autor de um projeto que obrigaria entidades de previdência privada a investir no mercado de estoques de carbono. Se o dinheiro tiver sido dado em troca do projeto, o deputado vai para a seção “roubou com o Master”. Vorcaro queria essa aprovação porque inflava sua carteira de investimentos com um empreendimento picareta na Amazônia.
Filipe Barros (PL-PR) estava no PowerPoint em “tentou salvar o Master” por ter apresentado o projeto de lei que copiava a “Emenda Master”, que Ciro Nogueira (PP-PI), hoje sabemos, recebeu pronta de Vorcaro. Pelo que já expliquei na última coluna, Eduardo Bolsonaro merece ter seu nome inscrito no PowerPoint ao lado do deputado paranaense.
Agora desenhe o gráfico, pinte os direitistas de azul, os esquerdistas de vermelho, os juízes de preto, e me diga o que você vê. Mude os critérios, se quiser: veja que lado ganhou mais dinheiro, que lado tem mais gente envolvida, o quanto os envolvidos são importantes para seu próprio lado.
O resultado será o mesmo. Para cada acusado de esquerda citado nas investigações, surgem quatro ou cinco novos acusados de direita, cada vez mais poderosos e movimentando cada vez mais dinheiro. Não é mais questão de saber quantos líderes da direita estão no PowerPoint do Master, mas qual deles não está.
Saudades de quando criticávamos a direita, de modo meio idiota, por só pensar em números, não em pessoas. Hoje em dia é difícil ensiná-los a contar bolinhas em um gráfico.
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Folha de São Paulo



