Política

Esposa diz concordar com Paulo Figueiredo e que feminismo tem consequências nefastas

A psicóloga Natalia Cordeiro, esposa do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, disse à Folha nesta quarta-feira (1º) concordar integralmente com as recentes declarações do marido sobre o voto feminino. Ela afirmou que o feminismo traz “consequências nefastas” para a vida das mulheres e defendeu que a visão dele não o torna “antimulheres”.

Em live realizada na última quinta-feira (25), Figueiredo disse que mulheres votam muito mal —em especial as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os votos dos maridos.

Na transmissão, ele também chamou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) de feministas, além de criticar o uso de cotas no PL Mulher.

Figueiredo é apoiador da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem esteve no fim de maio na visita a Donald Trump na Casa Branca.

Natalia Cordeiro, especializada em terapia de casal e família pela Albizu University, em Miami, trabalha como psicóloga na Flórida. Ao ser procurada pela reportagem, Natalia disse que, antes de responder, conversaria com o marido sobre a repercussão do caso.

“Concordo integralmente com a posição do Paulo. Inclusive, como ele explicou no seu programa, esse ‘gender gap’ [disparidade de gênero] é algo mais do que documentado academicamente. Nós conversamos com frequência sobre o problema do feminismo e as suas consequências nefastas na vida das mulheres, seja politicamente, seja psicologicamente, que é o meu campo”, disse. “Isso não torna o Paulo antimulheres. Pelo contrário, é um marido e um pai de duas mulheres maravilhoso e dedicado”, completou.

O termo “gender gap” citado pela psicóloga integra o indicador do Fórum Econômico Mundial que mede as assimetrias entre homens e mulheres em áreas como economia, saúde, educação e política. Atualmente, o relatório estima que o mundo levará 123 anos para atingir a igualdade total entre os gêneros.

No vídeo, Figueiredo sugeriu que quem ficasse descontente com a sua fala poderia “arrancar os pentelhos das calcinhas”. Nesta segunda-feira (29), o próprio influenciador insistiu no mesmo posicionamento em postagem no X (antigo Twitter) e atacou a Folha.

“Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. Se trabalha na Folha então, pior ainda. Como isso sequer é controverso, meu Deus? Estatisticamente é indiscutível. Mas nem sempre foi assim! Isso tem a ver com o avanço desta ideologia demoníaca feminista que está destruindo a vida das mulheres. Posso e vou provar”, escreveu Figueiredo.

Morando nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo é neto do general João Baptista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar brasileira (1979-85).

O casamento de Natalia Cordeiro e Paulo Figueiredo ocorreu no dia 29 de novembro do ano passado, em uma casa de eventos na região de Miami-Dade, na Flórida, sem a presença do pai do noivo, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, de 81 anos.

Filho do general João Baptista Figueiredo, ele está com o passaporte retido pela Justiça do Rio de Janeiro devido a um processo de execução de dívidas.

Às vésperas da cerimônia, a defesa de Paulo Renato acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) com um pedido de habeas corpus para tentar reaver o documento temporariamente, alegando motivos de saúde e o caráter “afetivo e existencial” do casamento do filho. O pedido, no entanto, foi negado em definitivo pelo ministro Flávio Dino, relator do caso na corte.

Repercussão política

Em meio à crise no PL, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) acertou a saída dela da presidência do PL Mulher na terça-feira (30), e indicou a pessoas próximas estar ainda mais desanimada com a possibilidade de ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a presidência do PL Mulher para me dedicar –integralmente– aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, diz a nota.

Em reunião com lideranças femininas nesta quarta, Flávio disse “repudiar veementemente” as falas do influenciador bolsonarista.

“Não concordo com o que ele falou, completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha. Óbvio que é uma pessoa que nos ajuda muito nos Estados Unidos […] em função disso as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha”, afirmou o senador.

Folha de São Paulo

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