Aliados de Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e Bacellar aparecem em lista de bicheiro preso no Rio

O nome do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), aparecem na lista de possíveis beneficiários do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, um dos alvos da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2).
No documento, os nomes dos políticos, aliados históricos do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estão associados a valores financeiros. Bacellar, por exemplo, teria o codinome “Barba” nas planilhas e teria recebido quase R$ 4 milhões. Preso, Adilsinho chamava os políticos corruptos de “clientes”. A Polícia Federal investiga se o dinheiro pode ser atribuído a caixa dois de campanha eleitoral.
Adilsinho é apontado como “capo da Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro, que obrigaria a venda apenas de maços produzidos pela quadrilha, que controlaria quase metade dos municípios do Rio de Janeiro.
Tanto Bacellar quanto o bicheiro, que estão presos, foram alvos de um novo mandado de prisão expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, juntamente com o pastor Márcio Poncio, também preso nesta quinta. Outro alvo foi o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, que nega qualquer participação em organização criminosa.
A defesa do ex-governador Cláudio Castro informou em nota que “é mentirosa qualquer ilação de que ele tenha recebido pagamento, doação ilegal, vantagem indevida ou qualquer repasse de recursos”.
A defesa de Adilsinho “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos”. Já os advogados de Poncio informaram que não tiveram acesso aos autos do processo.
Castro é também investigado por relações com o empresário Ricardo Magro, ligado ao Grupo Refit, e com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em março, o STF tornou o governador inelegível por um esquema que teria sido utilizado para favorecê-lo nas eleições de 2022.
A Operação Unha e Carne investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho. Na nova fase deflagrada nesta quinta, teve origem na análise das planilhas apreendidas com Adilsinho.
Além dos três mandados de prisão preventiva, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio e de São João de Meriti (Baixada Fluminense), com bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
Censura
Em junho, uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de um vídeo publicado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol-SP), após ação movida pelo Partido Liberal (PL).
Os conteúdos publicados também por outros parlamentares e páginas progressistas repercutiam informações com citações de políticos envolvidos na Operação Unha e Carne e a relação deles com o senador Flávio Bolsonaro.



