Sindicato dos Metalúrgicos quer pedir reparação financeira após receber anistia política

Após receber anistia política, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzesdiscute pedir na justiça uma reparação financeira pela perseguição sofrida durante a ditadura militar.
Nesta quinta-feira (2), por meio de decisão da Comissão de Anistia, o Estado brasileiro pediu desculpas ao sindicato pela violência sofrida pelos sindicalistas durante o período ditatorial.
Esta é a primeira anistia política coletiva concedida pelo colegiado. Até então, indenizações só eram reconhecidas às pessoas físicas.
“A decisão abre um precedente enorme para que outras entidades peçam reparação. É uma maneira de rever a história do Brasil”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João Carlos Gonçalves, o Juruna, que, em 2025, foi considerado anistiado político pela comissão.
A decisão, no entanto, não garante reparação financeira ao sindicato. Por isso, a equipe jurídica já discute acionar a Justiça para pedir a indenização a partir da declaração da comissão.
“Queremos desenvolver o trabalho de memória que o sindicato já faz, mas que pode ter outra dimensão. Temos carência de espaços de memória no país”, afirmou ao Painel a advogada que atuou no caso, Ana Lúcia Machiori.
Também pela primeira vez a Comissão de Anistia recomendou que a União entre com uma ação na justiça contra empresas que tenham atuado na perseguição aos trabalhadores.
Após a decisão histórica, outros sindicatos já disseram que pretendem entrar com um pedido junto à comissão para também conseguir o perdão do Estado pela violência sofrida no período militar.
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Folha de São Paulo



