adolescente com medo deixa casa em Goiânia

DECISÃO JUDICIAL
“Ele regrediu totalmente e sente muito medo. Levamos para a casa de parentes”, relata mãe sobre impacto da decisão judicial no adolescente
Lutador que agrediu adolescente em Goiânia é solto após habeas corpus (Foto: reprodução)
O adolescente agredido pelo lutador Rafael Gomes Pereira, 43 anos, deixou a própria casa por medo após a soltura do agressor. Decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) revogou a prisão preventiva do investigado e o colocou em liberdade com medidas cautelares na quinta-feira (2/7), em Goiânia. “Ele já está muito abalado psicologicamente e isso é muito prejudicial pra ele nesse momento. Tivemos que levá-lo para a casa de parentes”, disse a mãe da vítima, Vivian Cunha, ao Mais Goiás. A decisão também reduziu de 300 para 100 metros a distância mínima que o lutador deve manter das vítimas, além do uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições.
Vivian afirma que o filho faz acompanhamento psicológico e apresentava evolução no tratamento, mas que a decisão provocou um novo abalo emocional. “Ele estava em terapia, teve uma evolução, mas agora com essa notícia ele regrediu totalmente. Sente muito medo. Ele estava até mais alegre porque fizemos a inscrição dele no Enem, que ele vai fazer pela primeira vez, e agora tudo isso causou esse impacto de novo”, relatou.
A mãe afirmou ainda que também enfrenta dificuldades emocionais diante do caso. “Eu estou à base de medicamentos para ansiedade, pânico e para dormir”, afirmou. Ela também disse que o irmão do adolescente ficou bastante abalado com a situação.
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“Ele já descumpriu medidas”
Vivian criticou a decisão judicial e afirmou que o histórico de descumprimento de medidas cautelares não teria sido considerado pelo Tribunal. “A nossa revolta e preocupação é essa. Ele já demonstrou que não cumpre medida cautelar. Ele rompeu a tornozeleira que foi colocada na audiência de custódia. Mesmo assim, o tribunal não analisou isso e colocou ele em liberdade novamente, com monitoramento eletrônico e reduzindo a distância das vítimas de 300 para 100 metros”, disse.
Ela também afirma que a decisão aumentou o sentimento de insegurança na região. “Infelizmente se instalou um pânico novamente”, afirmou.
“Tem registro da Polícia Penal informando que a tornozeleira foi rompida. Ele ficou com o equipamento em cima da mesa, tomou rumo ignorado e ficou foragido por mais de quatro horas até se apresentar em Trindade. Ninguém sabe o que ele pretendia naquele momento”, concluiu.
Histórico de prisões
Rafael Gomes Pereira havia sido preso preventivamente no dia 4 de junho de 2026, após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça durante a investigação. Segundo os autos, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e chegou a ficar com paradeiro desconhecido por algumas horas após a expedição do mandado de prisão, o que levou a Polícia Civil a pedir a conversão das medidas em prisão preventiva. O pedido foi acolhido em primeira instância.
Posteriormente, a defesa ingressou com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), nesta quinta-feira (2/7) revogou a prisão preventiva e determinou a soltura do investigado, substituindo a custódia por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a restrição de aproximação das vítimas.
O caso teve início no dia 29 de maio de 2026, durante uma partida de futebol entre adolescentes na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia. Segundo a Polícia Militar, Rafael Gomes Pereira, pai de um dos jovens envolvidos na confusão, teria se envolvido na briga e agredido um adolescente de 17 anos.
A agressão foi registrada por pessoas que estavam no local. As imagens mostram o momento em que o homem imobiliza o adolescente no chão com um golpe conhecido como “mata-leão” e mantém o estrangulamento por cerca de um minuto, até que a vítima perde a consciência.
De acordo com testemunhas, após soltar o jovem, que já estava desacordado, Rafael ainda teria desferido um chute nas costas da vítima antes de deixar o local. O adolescente precisou de atendimento médico.
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