Esporte

Tunísia tem oito jogadores investigados por antidoping na Copa; entenda o caso

A Copa do Mundo de 2026 ganhou um capítulo extracampo envolvendo a seleção da Tunísia. Oito jogadores do elenco africano aparecem no centro de uma investigação antidoping depois que exames realizados durante o torneio apontaram resultados atípicos. O caso foi revelado pelo jornal britânico “The Times” e as identidades dos atletas não foram divulgadas.

A substância detectada é o clenbuterol, proibida pela Agência Mundial Antidopagem. As concentrações encontradas ficaram abaixo do limite que a WADA estabelece para casos de possível contaminação alimentar, o que explica por que nenhum dos oito foi suspenso preventivamente. Em vez de punição imediata, o protocolo prevê abertura de investigação para determinar a origem da substância.

A hipótese que ganhou força entre as autoridades aponta para um restaurante de Monterrey, cidade mexicana onde a delegação tunisiana ficou baseada durante o Mundial. Os exames suspeitos foram coletados entre 10 e 14 dias antes da última partida da fase de grupos, a derrota por 3 a 1 para a Holanda em 26 de junho.

O clenbuterol é usado ilegalmente na pecuária mexicana para produzir carnes mais magras e tem histórico de causar contaminações involuntárias em atletas. A substância produz efeitos semelhantes aos dos esteroides anabolizantes, com aumento de massa muscular e redução de gordura, mas sua presença em baixas concentrações é frequentemente associada à ingestão de carne contaminada.

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Precedente no mesmo país

O caso não é novidade em competições da Fifa disputadas no México. Em 2011, durante o Mundial Sub-17, 109 jogadores de 19 seleções diferentes apresentaram vestígios de clenbuterol. A investigação posterior mostrou que cerca de 30% das amostras de carne servidas nos hotéis das delegações testaram positivo para a substância.

Desde 2022, a WADA adota critérios mais precisos para esse tipo de situação. A Carta Técnica TL23 determina que concentrações inferiores a 5 ng/mL de clenbuterol na urina sejam classificadas como Resultado Analítico Atípico, não como doping confirmado. Se a investigação concluir que houve contaminação alimentar, o processo é encerrado sem punição aos atletas.

Campanha turbulenta dentro e fora de campo

A investigação antidoping é mais um capítulo difícil de uma Copa que a Tunísia preferiria esquecer. A seleção foi eliminada na fase de grupos após três derrotas: 5 a 1 para a Suécia, 4 a 0 para o Japão e 3 a 1 para a Holanda. No intervalo do torneio, a federação demitiu o técnico Sabri Lamouchi logo após a estreia e convocou Hervé Renard para assumir o comando.

A federação tunisiana, os oito jogadores investigados e seus clubes já foram formalmente notificados. A investigação segue em andamento.

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