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Novos medicamentos ampliam o tratamento da epilepsia no Brasil

Por Dra. Letícia Pereira de Brito Sampaio, presidente da Liga Brasileira de Epilepsia; Dra. Taissa Ferrari Marinho, secretária-geral da Liga Brasileira de Epilepsia; e Dra. Juliana Passos, tesoureira da Liga Brasileira de Epilepsia

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A epilepsia segue sendo uma condição neurológica desafiadora, especialmente nos casos em que o tratamento não consegue controlar completamente as crises. Estima-se que cerca de 30% dos pacientes convivam com a epilepsia farmacorresistente, situação em que as crises persistem mesmo após o uso adequado de pelo menos dois medicamentos anticrise.

As manifestações da doença variam amplamente, indo de breves episódios de comprometimento da consciência até crises com manifestações motoras intensas. Mesmo quando não são contínuas, as crises epilépticas impactam diretamente a rotina, a autonomia e a segurança dos pacientes, além de repercutirem nos estudos, no trabalho e na vida social.

A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais frequentes do mundo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 50 milhões de pessoas globalmente.

Nos últimos anos, o tratamento da condição tem avançado com o desenvolvimento de terapias voltadas para mecanismos mais específicos da doença, ampliando as possibilidades principalmente nos casos mais complexos. Nesse cenário, em 2026, três novos medicamentos passam a ser disponibilizados em nosso país, ampliando as opções de manejo da condição, sobretudo para pacientes com difícil controle das crises.

Entre as conquistas mais recentes está o cenobamato, aprovado pela Anvisa para o tratamento de crises focais em adultos com epilepsia farmacorresistente. O medicamento atua na redução da atividade elétrica anormal no cérebro e, em estudos clínicos, mostrou redução significativa na frequência das crises, com parte dos pacientes alcançando uma diminuição superior a 50% na ocorrência dos episódios.

Além dele, o estiripentol e a fenfluramina também ampliam o arsenal terapêutico para formas mais graves e complexas da doença, como a Síndrome de Dravet, uma condição rara que exige abordagem individualizada e, frequentemente, a combinação de medicamentos.


Como um terço dos pacientes ainda convive com crises imprevisíveis, o que aumenta o risco de quedas, acidentes e limitações importantes no dia a dia, o acompanhamento contínuo e a discussão de estratégias terapêuticas atualizadas seguem sendo fundamentais.

Nesse contexto, o 41º Congresso da Liga Brasileira de Epilepsia, que ocorrerá de 15 a 18 de julho no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir o cuidado integral ao paciente. A programação incluirá debates sobre terapias medicamentosas, cirurgia de epilepsia, diagnóstico avançado, neurofisiologia clínica e estratégias de manejo multidisciplinar.

O encontro, organizado pela Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), reforça a importância da atualização científica diante de uma condição que ainda impõe desafios relevantes à qualidade de vida dos pacientes.

Bruno Capozzi

Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.


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