Recorde nas exportações incentiva investimentos entre produtores de frango


Durante quatro anos, de 1996 a 1999, Manoel e Agiane Toda trabalharam intensamente no Japão, economizando ao máximo para juntar dinheiro suficiente para investir no Brasil. Quando retornaram, consideraram que o melhor a fazer seria adquirir um pedaço de terra no município de Tamarana, norte do Paraná, onde poderiam instalar aviários para frangos.
Atualmente, eles alojam 120 mil animais, que recebem, em sistema de integração, com um dia de vida, e criam até o peso de aproximadamente 3,4 quilos, em um ciclo que varia de 42 a 45 dias.
O casal continua trabalhando muito. Os dois adotam todos os cuidados necessários para que as aves se desenvolvam com saúde e segurança. Todos os dias, às 6h, Agiane já está dentro da granja. Manoel é o encarregado de manter a temperatura ideal, principalmente no inverno, quando os pintinhos precisam de 33°C para ficarem confortáveis. Na madrugada, ele abandona os cobertores para verificar como está a lenha no aquecedor. Kauã Toda, 21 anos, trabalha com os pais. “Granja é para os fortes”, resume Agiane.
Animados com os bons resultados recentes, eles planejam investir mais de R$ 180 mil para trocar o sistema de aquecimento, substituindo a lenha pelo gás liquefeito de petróleo (GLP).
“É preciso ter dedicação para manter a boa ambiência e a sanidade dos animais, mas tudo está valendo a pena”, destaca Manoel Toda.
As boas perspectivas do mercado de frango foi um dos fatores que levou a dentista Juliana Rosa a deixar Curitiba, a capital do Paraná, há quatro anos. Ao lado do marido, o funcionário público Fernando Araújo, ela se mudou para o norte do Estado. Eles investiram em dois aviários, cada um com capacidade para alojar 42 mil aves, no município de Santo Inácio.
Dentista Juliana Rosa deixou Curitiba para investir na criação de frango na região norte do Paraná
Sérgio Ranalli
Da rotina de atendimentos a pacientes no consultório à administração da propriedade rural, a mudança foi drástica, mas Juliana diz que está feliz em sua nova fase profissional. “Os investimentos foram altos e os desafios são muitos todos os dias, mas acreditamos no futuro com o frango”. Atualmente, para montar um aviário com capacidade para 42 mil aves o investimento fica na casa de R$ 3 milhões.
+ Produtores de frango concentram a atenção em biosseguridade
Os produtores foram ouvidos na 1a Feira Aves Seara, realizada na última semana em Arapongas, no Paraná. Convidado para a palestra de abertura do evento, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que a projeção de produção de carne de frango em 2026 no Brasil é de 15,6 milhões de toneladas, número apenas 2% superior ao ano passado, contudo o horizonte mostra que até 2033 o consumo global de proteína de frango crescerá 22%.
Em maio de 2026, pela primeira vez o faturamento brasileiro com vendas de carne de frango para o exterior superou a marca de US$ 1 bilhão (US$ 1,009 bilhão), resultado 36% superior a maio de 2025.
1ª Feira de Aves Seara reuniu produtores e lideranças em Arapongas (PR)
Sérgio Ranalli
Santin acrescentou que vê com otimismo a abertura para os próximos anos de grandes mercados que ainda não compram em larga escala do Brasil, como Índia, Nigéria, Paquistão e Bangladesh. O país já vende carne de frango para 153 mercados.
“O nosso produtor é vocacionado, é dedicado, gosta do que faz. Eles me perguntam se o filho poderá ficar no negócio. Eu digo que sim, porque o mundo precisa do Brasil”, ressaltou o presidente da ABPA em entrevista à Globo Rural.
Promotora do evento, que reuniu 1,6 mil produtores com os quais trabalha em sistema de integração, a Seara exporta carne de frango para mais de 60 países. Antônio Ribas Júnior, diretor executivo de agro e CIEX da empresa que integra o Grupo JBS, destacou que a parceria com homens e mulheres que se dedicam à criação das aves deve ser fortalecida para acompanhar o aumento da demanda mundial por essa proteína.
Antônio Ribas Júnior é diretor executivo de agro da Seara
Sérgio Ranalli
“Nosso lema é: ‘o que o mundo quer consumir, nós vamos produzir’. E isso acontece em parceria com os produtores. Mostramos que é seguro investir nessa cadeia, porque é uma questão de soberania nacional. Nenhum país consegue se manter se faltar comida nos pratos das pessoas. Faremos isso, cada vez mais, absorvendo tecnologias, chegando à eficiência na produção que garante a sustentabilidade”, enfatizou Ribas Júnior.
Globo Rural



