Flávio Bolsonaro explora gesto de Lula e diz que presidente dá ‘dedo do meio’ à população

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o presidente Lula (PT) por mostrar o dedo do meio em evento no Palácio do Planalto na última sexta-feira (3).
“Eu estou aqui nos Estados Unidos para defender o Brasil e fazer a minha parte para evitar que os produtos brasileiros sejam tarifados. Enquanto o atual presidente o Brasil manda o ‘dedo do meio’ para o povo brasileiro, eu vim até Washington [capital dos EUA] para defender os brasileiros”, disse Flávio.
Lula mostrou o dedo do meio em evento no Palácio do Planalto na sexta ao rebater quem diz que “pobre não gosta de coisa boa”. “Precisamos acabar com essa história que eles pensam que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles [faz o gesto]. Nós gostamos de coisa boa. Nós queremos é tudo de primeira”, afirmou na ocasião.
A declaração de Flávio, enviada em forma de vídeo a jornalistas, é um indicativo de que o gesto será explorado pela oposição numa tentativa de desgastar o petista.
O senador está em Washington para participar na próxima terça-feira (7) de uma audiência USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), órgão que negocia a aplicação das tarifas aos produtos brasileiros.
O USTR concluiu uma investigação sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil com os EUA e propôs a aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros. Um dos argumentos dos americanos é que o Pix causa prejuízo às empresas de lá.
O governo brasileiro vem negociando com os EUA desde o ano passado para evitar que haja a imposição das sobretaxas. O presidente Lula tem chamado o senador de “traidor da pátria” porque seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), instigou o governo americano a agir contra o Brasil, o que tem dado munição ao discurso de soberania do país.
O senador, porém, disse ser “válido o argumento político” de que o cenário pode mudar “muito em breve”.
“O comportamento de Lula é deliberado para atrair as tarifas. Ele é o principal fator de risco para o Brasil ser tarifado. Ele não perde uma oportunidade de provocar o governo americano, não cumpre sua obrigação de negociar como presidente”, disse.
“Por isso, faz parte da estratégia de proteger o Brasil deixar muito claro que a possível mudança de governo a partir de 2027 vai ser um novo marco nas relações entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
Folha de São Paulo



