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Lembra dele? Aos 58 anos, galã expõe o peso do sucesso e síndrome enfrentada nos bastidores

O excesso de trabalho quase sempre cobra um preço. Imagine a rotina de gravar a reta final de uma novela, começar a produção de outra em um canal diferente e ainda ensaiar uma peça de teatro. Tudo ao mesmo tempo. Foi exatamente esse acúmulo de tarefas que levou um conhecido galã da televisão brasileira a desenvolver a Síndrome do Pânico. O corpo avisou antes: ele suava muito e tinha a sensação constante de que iria desmaiar antes de entrar no palco ou no set de gravação. O diagnóstico veio como um freio obrigatório para alguém que estava no limite do esgotamento físico e mental.

Lidar com o transtorno exigiu pausas e mudanças estruturais de hábito. No começo, o tratamento pediu acompanhamento rigoroso com terapia e remédios. Com o tempo e muita observação pessoal, o quadro mudou de figura. O ator passou a controlar a síndrome sem o uso de medicamentos, entendendo seus limites e fugindo dos gatilhos que levam à estafa. Como ele mesmo define: “Acredito que minha Síndrome do Pânico tenha sido resultado de um perfeccionismo somado a um excesso de trabalho”. A situação reflete um problema global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos de ansiedade atingem de 2% a 4% da população, número que exige debates constantes sobre saúde mental.

Mas quem é o ator por trás dessa história? Ele é aquele jovem mineiro de Varginha que precisou aprender na marra a lidar com o ritmo da TV ao estrear como protagonista na novela Salomé, no início dos anos 1990. O artista que marcou a teledramaturgia em sucessos como Os Mutantes e Os Dez Mandamentos. O homem que, aos 58 anos, diz ter orgulho de quem se tornou é Petrônio Gontijo. Dono de uma carreira construída bloco a bloco, ele mostra que a vulnerabilidade também acompanha quem passa décadas sob os holofotes.

Novos rumos e o streaming

Depois de anos sendo um dos principais nomes da Record TV, Petrônio viu seu vínculo de exclusividade chegar ao fim. O movimento aconteceu quando a emissora desfez grande parte do seu banco fixo de atores.

Em vez de lamentar, ele enxerga o cenário de forma prática. O mercado audiovisual mudou e o formato de contrato por obra, impulsionado pelo streaming, virou a regra.

Sobre essa fase de transição, ele avalia de forma bastante positiva: “Tudo é bom quando se abre o mercado de trabalho com projetos consistentes. Acredito que estamos amadurecendo para atuarmos em todos os tipos de plataformas”.

Petronio Gontijo – Foto: Antônio Chahestian / Record

Do cinema aos palcos

A jornada de Petrônio vai muito além da televisão aberta. No cinema, ele assumiu a responsabilidade de interpretar o líder religioso Edir Macedo nas duas partes do filme Nada a Perder, obras que figuram entre as maiores bilheterias nacionais. Viver uma figura real exigiu absorver características sem cair na mera imitação.

Segundo o ator, foi preciso buscar a essência do personagem e chegar a uma terceira figura, criada a partir desse aprofundamento. Além das telas, o teatro segue como uma grande paixão, sendo o espaço de reencontros com textos clássicos e velhos amigos de profissão.

O tempo como aliado

Longe de qualquer julgamento, Petrônio encara a passagem dos anos como uma vitória. As informações sobre os altos e baixos de sua profissão e saúde mental ganharam visibilidade a partir de uma longa entrevista concedida ao portal da jornalista Heloisa Tolipan, cujos relatos conversam com os registros biográficos de sua carreira presentes na Wikipedia.

Hoje, com a mente tranquila, o galã garante que não trocaria sua idade atual por dez ou vinte anos a menos. Ele trabalhou a timidez e a baixa autoestima para chegar ao presente em paz. Como ele mesmo resume: “Tenho orgulho de ser quem eu sou quando olho pra trás. O tempo é um atestado de sobrevivência”.

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