Política

Operação da PF fragiliza mais um aliado de Flávio Bolsonaro no RJ

A operação da Polícia Federal desta quarta-feira (7) fragilizou mais um integrante do palanque fluminense do senador Flávio Bolsonaro (PL) para sua campanha à Presidência. A pré-candidatura ao Senado de Márcio Canella (União Brasil) se tornou motivo de dúvidas após ele ser alvo de busca e apreensão sob suspeita de lavagem de dinheiro.

A vulnerabilidade do nome de Canella, que nomeou milicianos em sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo (RJ), era conhecida na campanha da Flávio. Sua indicação foi aceita como parte da aliança com o União Brasil.

O presidente nacional do partido, Antônio Rueda, é pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados e conta com a base eleitoral de Canella para se eleger. Ele participou, inclusive, de agendas ao lado de suspeitos de elo com milícia e que fazem parte do círculo político do ex-prefeito, agora alvo da PF.

O ex-prefeito também havia garantido a vaga de primeira-suplente para Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio.

Canella foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele foi preso em flagrante por, segundo a PF, manter um fuzil calibre .556 irregular em seu carro.

A PF afirma que as suspeitas envolvem movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), em investigação sobre contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, dentre outros crimes.

A Folha enviou mensagem para Canella na manhã desta terça, mas não obteve resposta.

As conversas horas após a operação da PF não definiram um rumo, mas expuseram mais uma fragilidade do palanque de Flávio no Rio.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já viu o ex-governador Cláudio Castro (PL) abandonar sua pré-candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da PF, sob suspeita de vínculos com o empresário Ricardo Magro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O pré-candidato ao Governo do Rio, o deputado Douglas Ruas (PL), teve frustrado o plano de assumir o Palácio Guanabara após o STF determinar a permanência do desembargador Ricardo Couto no cargo. A atuação do magistrado tem sido explorada pelo presidente Lula (PT) como contraponto a Flávio no estado.

O fato de Canella não ter sido preso preventivamente dava sobrevida à pré-candidatura, apesar do desgaste. A detenção em flagrante por porte irregular de um fuzil, anunciada à tarde, ainda não havia sido avaliada. A manutenção do sigilo dos autos, com as provas usadas pela PF, também contribui para a cautela no afastamento da postulação do ex-prefeito.

Uma das opções debatidas é a possível substituição de Canella por Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil que ganhou notoriedade após comandar a Operação Contenção, em que 122 pessoas morreram (entre as quais, 5 policiais).

A opção de Curi esbarra na resistência do PP fluminense em abrir mão de um potencial puxador de votos para a Câmara dos Deputados, cargo para o qual é pré-candidato.

Outra opção seria usar a vaga para tentar ampliar a aliança em torno de Ruas. O Republicanos negocia apoiá-lo e pode incluir o deputado Marcelo Crivella como um nome para compor a chapa.

O debate sobre o nome de Canella ocorre num momento em que o PL ainda não definiu um substituto para Castro.

O senador Carlos Portinho (PL) vem ganhando apoio dentro do partido e de siglas aliadas. Contudo, Flávio avalia que o nome do deputado Carlos Jordy (PL) tem maior aceitação dentro da base bolsonarista.

O deputado Sóstenes Cavalcantes (PL), líder do PL na Câmara, chegou a ser debatido como uma opção. O fato de ter sido alvo de nova operação da PF, porém, reduziu as chances de sua escolha.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo