Política

Patrus Ananias vira alternativa do PT para o Governo de Minas após recusa de ex-prefeita

Frustrada a tentativa de convencimento da ex-prefeita de Contagem Marília Campos para a disputa pelo Governo de Minas Gerais, o presidente Lula (PT) reiterou, nesta terça-feira (7), a necessidade de definição de seu palanque no estado. Foi apresentado como alternativa o nome do deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT).

Lula recebeu cerca de 30 auxiliares da campanha no Palácio da Alvorada, como o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ex-ministro Gilberto Carvalho. Lá, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que há expectativa de escolha de cabeça de chapa nesta semana.

O presidente endossou sua fala, afirmando que os nomes de Minas Gerais precisam ser definidos em breve. A reunião durou cerca de três horas e foi a prioridade de Lula, que precisou encurtar uma agenda com o ministro da Defesa, José Múcio, segundo pessoas que estavam na residência oficial do presidente.

O impasse em Minas Gerais envolveu inicialmente a objeção do PT mineiro ao lançamento de um nome de outro partido. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) é cotado para concorrer e desejava reunir apoio da esquerda. Mesmo sem endosso dos petistas, ele mantém a pré-candidatura.

Além disso, houve a resistência de Marília aos apelos para que disputasse o governo. Segundo relatos, ela cogitou a possibilidade de não concorrer a cargo algum caso insistissem para que entrasse na corrida pelo Palácio da Liberdade.

A ex-prefeita de Contagem é pré-candidata ao Senado. Segundo aliados, ela considera que tem mais chances de ser eleita senadora do que governadora. Um dos argumentos é que o PT não poderia arriscar perder uma cadeira na Casa, na qual bolsonaristas planejam ter maioria a partir de 2027, para sacrificá-la em uma eleição difícil ao governo do estado.

Como o PT defende, oficialmente, uma candidatura própria, o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias passou a figurar como alternativa do partido.

Veterano do partido, Patrus, 74, foi prefeito na década de 1990. Também foi ministro de Lula nos primeiros mandatos petistas, de 2004 a 2010 (Desenvolvimento Social) e no governo Dilma Rousseff (Desenvolvimento Agrário), entre 2015 e 2016.

Ainda na reunião desta terça, o nome do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), foi apresentado pelo presidente como novo integrante do comando de sua campanha, tendo como tarefa a organização do palanque em Minas.

O estado é considerado crucial para as campanhas presidenciais. Desde 1950 um presidente não é eleito sem conquistar a maioria dos votos desse estado.

Além de Minas, Edinho afirmou que o partido deverá definir sua candidatura em Goiás, onde uma ala do partido ainda insiste no nome da deputada petista Adriana Accorsi para o governo. Ela, no entanto, já lançou sua candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Segundo participantes, a reunião foi convocada para apresentação geral das áreas da campanha e planejamento de atividades até a convenção de 2 de agosto. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), falou, por exemplo, sobre o lançamento de comitês de pré-campanha.

Lula também ouviu o relato sobre a elaboração do plano de governo para os próximos quatro anos. Ainda segundo participantes, o petista mostrou-se otimista para as eleições, repetindo que a ideia é mostrar como recebeu o governo do antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e como será entregue ao brasileiro.

Mais uma vez, o presidente disse que o desafio será mostrar à população tudo o que foi feito durante sua gestão, uma vez que, nas palavras dele, nem sequer todos petistas têm conhecimento das ações implementadas.

O presidente repisou ainda que não discriminou prefeitos por sua coloração partidária, mas que muitas vezes seu trabalho não chega à ponta.

Folha de São Paulo

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