Política

Convenções partidárias não devem alterar cenário polarizado entre Lula e bolsonarismo, diz cientista político

As eleições acontecem daqui a três meses. Os eleitores vão decidir quem colocarão em seis cargos: presidente, governador de seu respectivo estado, deputados estadual e federal, e senador. A campanha oficialmente começa em 16 de agosto, mas antes ocorrem as convenções partidárias, de 20 de julho a 5 de agosto, que vão validar em definitivo as candidaturas.

Por ora, a pré-campanha foi marcada pelo escândalo envolvendo uma das principais figuras da extrema direita, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o banqueiro Daniel Vorcaro, a quem Flávio pediu dinheiro para bancar o filme biográfico de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As pesquisas de intenção de voto das últimas semanas indicam que o escândalo prejudicou consideravelmente Flávio, que aparece atrás do presidente Lula (PT), candidato à reeleição. No cenário de segundo turno, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontou vantagem de 6,5 pontos percentuais de Lula sobre Flávio. A tendência de queda e de desidratação da campanha bolsonarista também apareceu em outros levantamentos.

Além disso, quadros de antigos aliados do bolsonarismo passaram a criticar o pré-candidato e a se lançar em alianças ou candidaturas próprias de alternativa do campo conservador, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

O cientista político Rafael Cortez pondera que, nessa fase ainda de pré-campanha, é importante analisar contextos e, sobretudo, as taxas de aprovação e reprovação dos candidatos. O governo Lula, que meses atrás apresentava queda na aprovação, tem mostrado recuperação ou quadros de estabilidade. Além disso, o analista reforça que as pesquisas apontam que a disputa, como já está bastante evidente, será de intensa polarização.

“A minha leitura é que quem aprova o governo Lula deve votar no governo, independentemente dessas variações que a conjuntura vai mostrar. Por outro lado, quem desaprova o governo tem o potencial de votar na oposição. E note aqui, eu uso o termo ‘potencialmente’. O eleitor que está cansado de um determinado governo, que não gosta do desempenho desse governo, não necessariamente vai traduzir esse mal-estar em voto para a oposição. Ele pode, por exemplo, não votar, pode votar em branco e nulo, pode se abster. Então, os caminhos de demonstração dessa sensação de insatisfação são diferentes. E, na minha avaliação, Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu construir uma campanha para trazer segurança para esse eleitor insatisfeito”, defende.

Na avaliação de Rafael Cortez, as convenções partidárias não vão alterar o quadro atual das tendências de disputa, e talvez reduzam o número de candidatos efetivamente competitivos. “Eu vejo possivelmente uma redução do número de candidatos que efetivamente vão aparecer nas urnas, que vão ser ofertados ao eleitorado. Mas, dado a magnitude muito pequena dessa votação, não imagino que altere a tendência de ser uma campanha muito concentrada em duas forças, quase uma repetição da disputa de 2026. A despeito, por exemplo, do projeto liderado pelo ex-governador Ronaldo Caiado, pelo PSD, que deve contar com a chapa puro-sangue com Kassab na vice-presidência, não vejo, mesmo com essa movimentação, alguma coisa para quebrar essa concentração entre Lula e Flávio Bolsonaro”, aponta.

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