Política

Flávio Bolsonaro diz nos EUA que taxas beneficiariam Lula em reunião sobre tarifas

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) solicitou nesta terça-feira (7) que os Estados Unidos adiem a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o parlamentar argumentou que a medida beneficiaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão sobre as tarifas adicionais de 25% sobre exportações brasileiras é aguardada até 15 de julho.

Da IstoÉ.

O que aconteceu

  • Flávio Bolsonaro tarifas EUA pediu que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) adie a imposição de novas taxas sobre produtos brasileiros.
  • O senador argumentou que a adoção das tarifas beneficiaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dado o contexto das eleições presidenciais.
  • Ele sugeriu que os EUA, caso queiram pressionar autoridades brasileiras, optem por sanções individuais, em vez de medidas que afetem a relação comercial bilateral.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez seu discurso em inglês, salientando que o Brasil está em período eleitoral e que a imposição de tarifas poderia fortalecer o governo atual. “O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, declarou o senador.

Na sequência, o parlamentar classificou o momento como inadequado para a adoção das medidas comerciais e reiterou o pedido para que os Estados Unidos suspendam a proposta. “Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, afirmou.

A participação de Bolsonaro ocorreu de forma independente, sem qualquer ligação com o Ministério das Relações Exteriores. As audiências promovidas pelo USTR são abertas a representantes de governos, empresas e entidades previamente inscritos.

Defesa de sanções individuais

Durante a audiência, Flávio afirmou que, caso os Estados Unidos pretendam pressionar autoridades brasileiras, o caminho não deveria ser a aplicação de tarifas comerciais. Segundo o senador, medidas direcionadas contra indivíduos seriam mais eficazes do que sanções que afetem toda a relação comercial entre os dois países.

“Acho que vocês estão usando as tarifas para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos”, disse.

O PIX e a política interna brasileira

Ao longo da exposição, o senador também abordou temas relacionados à política interna brasileira. Bolsonaro afirmou que a corrupção continua sendo um dos principais desafios do país e citou investigações envolvendo diferentes governos. “A corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro”, afirmou durante o pronunciamento.

O parlamentar voltou ainda a defender o PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central. Ele argumentou que a ferramenta ampliou a inclusão financeira e também beneficia empresas americanas que atuam no mercado brasileiro. “O PIX não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros à economia formal. Além disso, continua beneficiando diretamente empresas americanas”, declarou.

Antes da audiência, Flávio publicou nas redes sociais que faria uma “defesa técnica” contra a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Por que o governo não enviou representantes?

Enquanto Flávio Bolsonaro participou da audiência como expositor, o governo brasileiro optou por não inscrever representantes para discursar no evento. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, diplomatas da embaixada brasileira em Washington acompanharam as discussões apenas na condição de observadores.

A avaliação do governo é de que a negociação sobre o tema ocorre nas conversas técnicas e diplomáticas mantidas diretamente entre autoridades dos dois países, e não durante a audiência pública promovida pelo USTR. Neste mês, o governo brasileiro apresentou uma resposta formal à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.

No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil sustenta que o USTR não demonstrou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou imponham barreiras ao comércio americano. O governo também argumenta que críticas relacionadas ao funcionamento do PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) dizem respeito a questões internas do país e não possuem relação com comércio internacional.

Críticas à ausência do executivo federal

Após participar da audiência, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo criticando a ausência de representantes do governo federal entre os expositores. Segundo o senador, empresários, advogados e representantes do setor produtivo participaram da audiência para defender os interesses brasileiros, enquanto o Executivo optou por não fazer uso do espaço destinado às manifestações públicas.

O parlamentar afirmou que compareceu aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros durante a consulta promovida pelo governo americano.


IstoÉ

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