Proposta de Flávio de adiar tarifaço para depois das eleições é inaceitável, diz Caiado

A proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de adiar as tarifas até depois das eleições presidenciais é inaceitável, afirmou nesta quarta-feira (8) o ex-governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD).
“Você vê falhas de um candidato –e com todo o respeito a ele, Flávio– em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação a partir da eleição”, disse Caiado em evento da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília. “É inaceitável isso. Você tem que estar dentro de um jogo para saber qual é o peso e o significado do país.”
“Isso tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro, já que este assunto não deve ser tratado apenas no interstício da campanha eleitoral”, afirmou Caiado mais tarde, em conversa com jornalistas. “Nós estaríamos convalidando o populismo irresponsável do Lula […] com a visão única de 4 de outubro.”
Flávio argumentou, em documento enviado ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que o tarifaço do ano passado foi utilizado politicamente pelo governo Lula (PT) e pediu que a aplicação de novas taxas seja adiada, pelo menos, até depois das eleições de modo a evitar um novo bônus político ao presidente.
“As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, disse Flávio, pré-candidato do PL à Presidência.
Após enviar esse dossiê, Flávio participou, na terça-feira (7), de audiência pública promovida pelo USTR –que é o órgão responsável pelas investigações comerciais que propuseram novas tarifas de 37,5% às exportações brasileiras– e repetiu o argumento, dizendo que agora seria o pior momento para implantar novas taxas.
Em sua fala no evento da CNC, Ronaldo Caiado ainda criticou o que seria uma postura ideológica da chancelaria brasileira, o Itamaraty, e disse que o Brasil sofre pressões simultâneas dos EUA, da China e da Europa –citando barreiras regulatórias europeias, as cotas chinesas e o tarifaço americano.
“Hoje os americanos nos ameaçam com 25% [de tarifa] pela seção 301. [Com] a União Europeia acabamos de fazer o acordo [UE-Mercosul] e disseram: ‘estamos enxergando uso de antibiótico fora dos padrões, cancelaremos as importações de carne‘”, afirmou. “Aí vem a China e diz: ‘vocês já atingiram a cota [da carne]. A partir de agora vocês têm que pagar 55% mais 12,5%.”
‘Se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula’, diz Caiado
Questionado por jornalistas sobre os efeitos do caso “Dark Horse” na campanha eleitoral, Caiado respondeu que o “grande divisor de águas” capaz de dar condições aos candidatos de debater com o PT será a “conduta moral, de envolvimento em corrupção”.
“Todas as pessoas sabem, muitos ainda não querem confessar: Se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula”, disse o ex-governador. “A candidatura dele [Flávio] está sendo construída como sendo a candidatura que o PT deseja.”
Folha de São Paulo



