Após batalha nas oitavas, Deschamps espera mais futebol contra Marrocos

Didier Deschamps está preparando a França para um confronto bem diferente do visto no último sábado (7). Nas oitavas de final, para triunfar por 1 a 0, o time teve de superar um bélico Paraguai, que teve comportamento defensivo taticamente e agressivo nas faltas e provocações. Nas quartas, terá pela frente a técnica equipe de Marrocos.
“O perfil de Marrocos não é o do Paraguai. Nós nos conhecemos, enfrentamos o time deles em Doha, há quatro anos”, afirmou, referindo-se à vitória por 2 a 0 de sua equipe no Mundial de 2022. “Nossa equipe e a deles gostam de ter a bola e marcar gols. Será preciso ter um desempenho muito bom, porque eles têm grande qualidade e vieram para ganhar, não para participar.”
Houve mudanças desde que a equipe marroquina obteve a melhor campanha de uma seleção africana na história do torneio, com a semifinal no Qatar. No início deste ano, após a derrota em campo na final da Copa Africana de Nações –no tapetão, o resultado mudou, porque Senegal chegou a abandonar o gramado–, Walid Regragui foi trocado por Mohamed Ouahbi.
Ouahbi havia levado a formação sub-20 de Marrocos ao título mundial de 2025 e incorporou jovens ao grupo principal, caso do atacante Gessime Yassine. Ganhou ainda um jogador que era da equipe sub-20 da França: o ótimo volante Ayyoub Bouaddi, que escolheu outro time nacional para atuar como adulto.
“Eles tiveram uma troca de treinador, mas continuam com bom desempenho, basta ver os resultados. Há jogadores muito bons que conhecem muito bem meus jogadores, mas meus jogadores também os conhecem muito bem. Alguns atuam no mesmo clube. Sabemos o que esperar”, disse Deschamps.
Mais conhecido atleta de Marrocos, o lateral direito Achraf Hakimi é companheiro de Paris Saint-Germain de cinco dos convocados da França. O meia Brahim Díaz joga com Aurélien Tchouaméni e Kylian Mpbappé no Real Madrid.
Diante de um adversário qualificado –que estreou empatando com o Brasil, eliminou a Holanda e atropelou o Canadá–, o treinador cobrou eficiência de seus atletas. “Poderíamos ter tido um desempenho melhor nesse sentido [contra o Paraguai]. Às vezes, você tem seis chances e faz dois gols. Às vezes, tem duas e faz dois. É importante ser eficiente.”
Deschamps, por fim, procurou minimizar as questões de arbitragem. Ele foi informado de que a Fifa (Federação Internacional de Futebol) não aceitou o pedido de anulação do cartão amarelo recebido pelo meia Michael Olise nas oitavas. A solicitação foi feita após a suspensão do cartão vermelho do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, a pedido do presidente Donald Trump.
“Alguns temas de arbitragem fogem do nosso controle. Confio nos árbitros e tenho segurança de que farão um bom trabalho. As decisões da arbitragem podem dar margem para discussão, mas os juízes estão ali para aplicar as regras de maneira justa”, afirmou.
O árbitro escalado para o duelo de quinta (9), no Gillette Stadium, em Foxborough, é o argentino Facundo Tello. Gerou controvérsia a designação de um francês para o jogo da Argentina e de um argentino para o jogo da França.
As equipes decidiram a última Copa e alimentaram uma rivalidade. Na terça (7), o francês François Letexier atuou pressionado e foi acusado de ter prejudicado o Egito, que levou 3 a 2 da Argentina. Agora, é a vez de Tello apitar sob pressão.
“Vocês podem se questionar sobre isso, mas parto do princípio de que há designações e que não posso fazer nada a respeito. Espero que os árbitros argentinos sejam tão bons quanto o senhor Letexier”, sorriu. “Mas o adversário é Marrocos, não o árbitro.”
Esporte / Folha de São Paulo



