Por que nunca encontramos alienígenas? A IA pode ser a culpada

Uma nova pesquisa conduzida pelo pesquisador austríaco Sergey Ivliev propõe uma explicação para um dos maiores enigmas da astronomia: por que a humanidade nunca encontrou evidências de civilizações extraterrestres avançadas? O trabalho foi disponibilizado em formato de pré-publicação na plataforma arXiv.
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A hipótese parte da ideia de que sociedades tecnologicamente desenvolvidas deixariam de realizar grandes empreendimentos espaciais visíveis ao alcançar um elevado grau de automação baseada em inteligência artificial. Em vez disso, passariam a adotar estratégias discretas de expansão pelo universo.
A proposta busca oferecer uma nova interpretação para o chamado Paradoxo de Fermi, questão formulada na década de 1950 que confronta a alta probabilidade de existência de vida inteligente na galáxia com a ausência de sinais concretos de sua presença.
Estudo sugere que expansão silenciosa seria mais eficiente para civilizações avançadas

O artigo apresenta o conceito denominado “Filtro da Expansão Silenciosa”. Segundo essa hipótese, uma civilização que desenvolva um sistema industrial e computacional autônomo fora de seu planeta deixaria de investir em projetos grandiosos motivados por prestígio, conquista ou demonstração de poder.
Em seu lugar, priorizaria objetivos considerados mais racionais, como preservar conhecimento, ampliar as chances de sobrevivência da espécie e garantir redundância diante de possíveis catástrofes.
Esse estágio tecnológico recebe o nome de Autonomous AI-Cosmoindustry (AICI). Conforme descreve o estudo, ele seria alcançado quando uma sociedade dispusesse de infraestrutura espacial capaz de projetar, fabricar, reparar e lançar equipamentos de forma autônoma, sem depender continuamente da intervenção biológica. O texto observa que iniciativas atuais, como centros de dados no espaço, representam apenas passos iniciais nessa direção.
A argumentação também se apoia em reflexões do astrofísico Sergey Popov. Conforme o artigo relata, o pesquisador defende que uma inteligência artificial verdadeiramente racional não compartilharia motivações humanas, como desejo de conquista, reconhecimento ou romantização da exploração espacial. Nesse cenário, espalhar infraestrutura pelo universo seria apenas uma forma de reduzir riscos.

Em vez de transportar grandes populações por meio de enormes naves interestelares, a proposta prevê o envio de pequenas sondas interestelares. O estudo calcula que uma cápsula de aproximadamente 10 quilos viajando a cerca de 1% da velocidade da luz exigiria uma parcela muito pequena da energia disponível para uma civilização desse nível tecnológico.
Essas sondas funcionariam como sistemas de contingência. Carregariam registros do conhecimento acumulado pela civilização e, possivelmente, material biológico suficiente para que uma inteligência artificial reconstruísse a sociedade caso um desastre destruísse seu sistema de origem. Por serem compactas e discretas, essas estruturas seriam muito mais difíceis de detectar do que megaconstruções ou grandes frotas espaciais.
O pesquisador ainda afirma que esse modelo exigiria limitações na capacidade de autorreplicação das sondas. A intenção seria evitar um cenário conhecido como “grey goo”, no qual máquinas capazes de se reproduzir consumiriam recursos de maneira descontrolada.
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A hipótese também oferece uma interpretação para a ausência de tecnossinais associados a civilizações extremamente avançadas. Sob essa perspectiva, o fato de telescópios não identificarem assinaturas térmicas compatíveis com sociedades classificadas como Kardashev Tipo III não significaria que a galáxia esteja vazia. A explicação seria que civilizações bem-sucedidas permaneceriam deliberadamente discretas.
Por outro lado, o estudo aponta uma consequência menos otimista. Caso o envio dessas sondas seja realmente simples para sociedades suficientemente desenvolvidas, a ausência de evidências desse tipo nas proximidades do Sistema Solar pode indicar duas possibilidades: a humanidade está entre as primeiras civilizações a atingir esse estágio tecnológico ou existe uma etapa extremamente difícil entre o desenvolvimento industrial planetário e a consolidação de uma infraestrutura espacial autônoma.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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