Pele de pessoas a partir de 60 anos exige cuidados que vão além da hidratação durante o inverno

Quando as temperaturas caem, a preocupação costuma se concentrar no pulmão e nas doenças respiratórias. Mas há outro órgão que também sofre com o inverno: a pele. Os efeitos do frio podem ser ainda mais intensos em pessoas com mais de 60 anos.
Com o envelhecimento, a pele passa por transformações naturais que comprometem a hidratação e a proteção do tecido. “Há uma redução da atividade das glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de gordura natural, além de diminuição dos lipídios que formam a barreira cutânea”, explica Sylvia Ypiranga, dermatologista membro da diretoria da SBD-SP (Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo). “A pele também fica mais fina, perde colágeno, elastina e capacidade de reter água.”
As características do tempo invernal, como ar seco, temperatura baixa e vento frio, favorecem o ressecamento. Mudanças comportamentais, com banhos mais quentes e menor ingestão de líquidos, agravam o problema e podem desencadear condições que vão além de pele áspera.
“Os sinais mais comuns são sensação de repuxamento, aspereza ao toque, descamação, perda do brilho natural, vermelhidão e, principalmente, coceira. Em casos mais intensos, podem surgir pequenas fissuras ou rachaduras, principalmente nas pernas, braços, mãos e pés”, diz a dermatologista.
Tais condições aumentam o risco de dermatites, eczema asteatósico e infecções bacterianas secundárias. “Ao coçar, a unha pode levar contaminação. Pequenas fissuras podem funcionar como portas de entrada para microrganismos, aumentando o risco de infecções cutâneas. Além disso, a coceira persistente pode prejudicar o sono e reduzir a qualidade de vida”, afirma a dermatologista.
Roupas feitas de lã, comuns no inverno, podem piorar a irritação e aumentar a sensação de coceira, assim como os tecidos sintéticos ásperos. Para diminuir o atrito com a pele, vista uma peça de algodão por baixo para formar uma camada protetora.
A importância da hidratação
No frio, o organismo perde menos água pelo suor e, por isso, o impulso para beber líquidos também diminui. Entre pessoas com mais de 60 anos, a situação é ainda mais delicada.
“Ocorre uma redução fisiológica da sensibilidade dos mecanismos cerebrais responsáveis pela percepção da sede. Isso significa que muitas pessoas acima dos 60 anos podem já estar levemente desidratadas sem perceber”, explica a diretora da SBD-SP.
A especialista recomenda a ingestão hídrica em torno de 30 ml por quilo de peso corporal por dia, com água, chás sem excesso de açúcar, sopas, leite, água de coco e frutas.
Aplicar hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está úmida, é outro cuidado que preserva a hidratação e reforça a barreira cutânea.
“O hidratante deve ser a base da rotina, porque é ele que repõe as substâncias que faltam na pele como glicerina e ceramidas”, afirma Bruna Masselli, dermatologista do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas.
“O óleo corporal pode complementar. Ele funciona como uma película que protege a perda de água da pele para o meio externo, falseando a hidratação.”
Segundo a dermatologista, deve-se evitar o uso excessivo de sabonetes perfumados ou antibacterianos e de buchas e esfoliantes. Já a proteção solar continua sendo indispensável. Os raios UVA, associados ao envelhecimento precoce da pele, incidem sobre o corpo mesmo nos dias frios de inverno.
A alimentação também desempenha um papel importante na proteção da pele durante os meses frios. Frutas, verduras e legumes fornecem vitaminas e antioxidantes que ajudam na manutenção dos tecidos e no funcionamento da barreira cutânea.
“Proteínas como ovos, carne e leite e leguminosas são essenciais para renovação celular e síntese de colágeno, além de proporcionar adequada cicatrização”, diz a dermatologista do Hospital Samaritano. Por outro lado, “alimentos ultraprocessados, com alto teor de açúcares e gorduras trans, e refrigerantes causam maior inflamação sistêmica e estresse oxidativo que podem prejudicar a função da pele ao longo do tempo”.
Além disso, certos medicamentos podem agravar o ressecamento da pele, como diuréticos, retinoides e antidepressivos, o que demanda maior hidratação durante o uso.
Informação
Folha de São Paulo



