Ato com Flávio Bolsonaro no Ceará tem indireta para Michelle e ausência de vereadora aliada

O ato político com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (10) em Fortaleza foi marcado por críticas ao PT, por uma indireta do deputado federal André Fernandes (PL) a Michelle Bolsonaro e pela ausência da vereadora Priscila Costa, aliada da ex-primeira-dama.
A visita à capital cearense acontece em meio à crise interna do partido e duas semanas após a divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez queixas sobre as costuras políticas feitas pelos filhos de Jair Bolsonaro e criticou duramente a aliança do PL no Ceará com Ciro Gomes (PSDB).
O evento político no Ceará marcou o lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, deputado que é o principal fiador da estratégia de aliança ampla para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT).
Em discurso, André Fernandes afirmou que foi eleito deputado estadual em 2018 e deputado federal em 2022 por causa de Bolsonaro e fez uma deferência ao ex-presidente.
“Que saudade eu tenho do nosso presidente, eu fico ali olhando o rosto dele. Nosso eterno presidente, nosso galego. Não é de ninguém individual, não, é nosso galego”, afirmou.
Nos vídeos divulgados em junho, nos quais faz críticas à estratégia política do PL de Ceará, Michelle Bolsonaro chama Jair de “meu galego”.
O deputado também reforçou que a escolha de Alcides Fernandes como pré-candidato ao Senado foi uma escolha direta de Bolsonaro. Também disse ter o apoio do partido no que chamou de “movimentos estratégicos” para tentar derrotar o PT no Ceará.
Em discurso, Flávio Bolsonaro sinalizou sua preferência por Alcides, o chamando de “melhor pré-candidato ao Senado” no Ceará: “Quero ver esse Alcides lá no Senado Federal para a gente colocar as instituições no seu devido lugar mais uma vez, para gente cessar com as perseguições”.
A vereadora Priscila Costa, que tem o apoio de Michelle e também é pré-candidata ao Senado pelo Ceará, não compareceu ao ato do aliado. Ela embarcou nesta quinta-feira (9) para Lisboa, para participar de um seminário de mulheres conservadoras.
Em uma postagem nas redes sociais, ela citou a ex-primeira-dama: “Já celebrei ao telefone com a Michelle Bolsonaro a alegria de participar do evento em Portugal ‘Mulheres Conservadoras’, reunindo diversas mulheres parlamentares de toda a Europa”.
Nas últimas semanas, a cúpula nacional do PL fez apelos por unidade. Mas não houve um consenso em meio à disputa que dividiu o campo conservador no Ceará e expôs fissuras entre líderes do PL e dentro da própria família Bolsonaro.
Priscila Costa segue pré-candidata ao Senado, mas declarou apoio a Flávio Bolsonaro à Presidência e falou em pacificação do grupo no Ceará: “Não vou alimentar nenhum tipo de conflito.”
Mesmo com duas cadeiras em disputa, é improvável que o PL lance dois nomes para concorrer ao Senado. No campo conservador, o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) também vai disputar o cargo.
A briga entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pelo palanque do Ceará começou em dezembro, depois que ela criticou publicamente a aliança com Ciro. Na época, Flávio e os irmãos Eduardo, Carlos Bolsonaro e Jair Renan criticaram a madrasta nas redes sociais e defenderam André Fernandes.
Michelle disse que os demais enteados repetiram os ataques de Flávio e que ficou com a impressão de que tudo havia sido “combinado, premeditado”.
Nos vídeos, a ex-primeira-dama afirmou ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada pelo enteado, voltou a criticar a aliança com Ciro Gomes e defendeu o apoio do PL ao senador Eduardo Girão (Novo), a quem vê como único candidato de direita no Ceará.
O presidenciável, posteriormente, veio a público afirmar que nunca desrespeitou mulheres e que “jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”.
Desde a publicação do vídeo, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e indicou que cogita não disputar as eleições para o Senado no Distrito Federal.
Folha de São Paulo



