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Por que a nova lei de silos exige mais tecnologia no campo?



O agronegócio brasileiro caminha para mais uma safra histórica. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de grãos deverá alcançar 356,34 milhões de toneladas. Apesar desse crescimento contínuo, o país ainda convive com um desafio estrutural que impacta diretamente a competitividade do produtor rural: a insuficiência de armazenagem dentro das propriedades.
Hoje, apenas cerca de 16% da capacidade estática de armazenamento está localizada nas fazendas. Como consequência, grande parte da produção precisa ser escoada imediatamente após a colheita, período em que a infraestrutura logística opera sob forte pressão, elevando custos de transporte, reduzindo flexibilidade comercial e comprimindo margens.
Nesse contexto, a recente decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) de tornar voluntária a certificação de armazéns privados representa um importante avanço para o setor. Ao reduzir exigências burocráticas, a medida cria condições mais favoráveis para que produtores invistam em estruturas próprias de armazenagem e ampliem sua autonomia operacional.

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No entanto, é fundamental compreender que a simplificação regulatória, por si só, não elimina os riscos inerentes ao armazenamento de grãos. Construir novos silos é apenas parte da solução. A verdadeira eficiência está na capacidade de preservar a qualidade e o valor comercial da produção ao longo do tempo.
Sob as condições climáticas brasileiras, caracterizadas por altas temperaturas e variações de umidade, a massa de grãos permanece em constante atividade biológica. Sem monitoramento adequado, podem ocorrer focos de aquecimento, proliferação de insetos, desenvolvimento de fungos e perda de qualidade, resultando em redução de peso, deterioração do produto e penalizações comerciais na entrega.
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Por isso, a expansão da capacidade de armazenagem deve ser acompanhada pela adoção de tecnologias de monitoramento e automação. Sistemas inteligentes capazes de acompanhar temperatura, umidade e condições internas dos silos em tempo real deixaram de ser diferenciais e passaram a ser elementos essenciais para uma operação segura e rentável.
A digitalização da armazenagem permite que o produtor tome decisões preventivas, reduzindo perdas e preservando o valor do grão até o momento mais favorável para sua comercialização. Em um cenário cada vez mais competitivo, tecnologia não é apenas uma ferramenta operacional; é um instrumento de proteção do patrimônio agrícola.
*Robson Engers é diretor sr. de Operações da AGI Brasil e América Latina
As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural


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