Política

Republicanos contraria Cleitinho e diz que senador não será candidato ao Governo de Minas

O Republicanos afirmou que o senador Cleitinho, líder nas pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais, não será candidato a governador do estado, contrariando o congressista, que chegou a avisar a aliados que iria disputar a eleição após meses de incerteza.

Em nota publicada nesta quarta-feira (29), a sigla diz que Cleitinho não correspondeu ao entusiasmo do partido em lançá-lo governador e menciona a indefinição do parlamentar sobre se tentaria ou não a eleição. Para o Republicanos, “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la”.

“Tal decisão nunca aconteceu. […] Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”, afirma a nota. Agora, a tendência do Republicanos em Minas é apoiar o ex-deputado Marcelo Aro (PP) para o governo.

“A ausência do senador na convenção estadual do Republicanos —apesar das justificativas pessoais— representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral”, declarou a legenda, na nota assinada pela executiva estadual e pelo comando nacional, a cargo do deputado federal Marcos Pereira (SP).

Uma das razões apresentadas pelo senador para sua indefinição era a condição de saúde de seu irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, que morreu de leucemia aos 34 anos no último dia 18. Cleitinho não compareceu à convenção do Republicanos em Minas, no sábado (25), que coincidiu com a missa de sétimo dia de Matheus Azevedo.

Somente nesta semana, Cleitinho indicou ter topado disputar o Governo de Minas Gerais. Como mostrou a Folha, o senador avisou a aliados que seria candidato. Ele falou a respeito da decisão na noite de segunda-feira (27) com uma liderança do PL e com seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo.

Cleitinho lidera as pesquisas em Minas Gerais. Segundo levantamento Quaest publicado nesta terça, ele tem 35% de intenção de votos no primeiro turno, 23 pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem 12%.

“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”, diz o Republicanos.

Na nota, o Republicanos também menciona que sinais contraditórios e recuos de Cleitinho comprometeram “a construção de um projeto coletivo”, que exige previsibilidade e responsabilidade.

A candidatura de Cleitinho estava no centro de uma série de negociações entre partidos, envolvendo inclusive o cenário nacional e o apoio ao presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ). O prazo para a definição de coligações termina em 5 de agosto, último dia para realização de convenções.

Sem um candidato forte em Minas, estado considerado estratégico na eleição nacional, o PL de Flávio pretendia apoiar Cleitinho caso ele fosse candidato. Com isso, o partido esperava que o Republicanos retribuísse formando uma coligação com Flávio, atualmente isolado e rejeitado pelas siglas do centrão.

Até a noite de terça-feira (28), a possibilidade de coligação entre o PL e o Republicanos não havia avançado. Além de Minas, os partidos precisavam acertar acordos em outros estados, como Acre e Mato Grosso. Pereira diz que está consultando os diretórios estaduais do partido para decidir sobre a coligação.

Diante da tendência do Republicanos a Marcelo Aro para o governo, o PL também considera apoiar o ex-deputado, em uma tentativa de amarrar o apoio, hoje improvável, do PP a Flávio. A federação PP-União Brasil já decidiu pela neutralidade, mas aliados do senador insistem na aliança.

Sem Cleitinho, dirigentes do PL de Minas consideram dois caminhos —o apoio a Marcelo Aro ou o lançamento de uma candidatura própria, com o ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) Flávio Roscoe (PL) ou o ex-prefeito Vittorio Medioli (PL). A chance de destravar alianças nacionais para Flávio a partir de Minas é que deve ditar a escolha do partido.

A situação é delicada para o PL porque haverá concorrência no campo da direita. O governador Matheus Simões (PSD) concorrerá à reeleição com apoio do ex-governador Romeu Zema (Novo), que deixou a gestão estadual em março para concorrer à Presidência.

Já o presidente Lula (PT) apostava no senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que decidiu não concorrer, e também ficou sem opções. Por fim, decidiu lançar o deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo mineiro.

Folha de São Paulo

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