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Produtor adia compra de defensivos da nova safra



No mercado de defensivos agrícolas, o ritmo de comercialização também está condicionado a um produtor rural mais cauteloso, que posterga decisões de compra diante dos juros elevados e das incertezas sobre a rentabilidade da nova safra, afirmam algumas das principais empresas do segmento.
Representantes dessas companhias são unânimes em dizer que, cada vez mais, os produtores têm adiado a aquisição do insumo para mais perto do período de aplicação na lavouras.
Na Basf, a comercialização para a safra de verão está praticamente no mesmo ritmo de um ano atrás, mas há um atraso significativo relacionado à segunda safra, com uma diferença estimada em cinco pontos percentuais. A essa altura do ano passado, as vendas no mercado em geral estavam em 30%.
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Segundo o diretor de marketing de Sistemas de Cultivo Soja da Soluções para Agricultura da Basf, Rafael Vicentini, isso se deve aos desafios de crédito e à incerteza gerada pelo fenômeno climático El Niño. “Vemos o agricultor um pouco mais reticente em tomar posição na segunda safra do que nesta primeira”, diz ao Valor, acrescentando que muitos preferem analisar primeiro qual será o desempenho da safra de verão.
A estimativa da empresa é de que o mercado irá crescer 1% a 2% em 2026. A multinacional não revela qual a projeção acerca de seu desempenho, mas segundo Vicentini a tendência é “estar à frente do crescimento de mercado”.
A Bayer também vê o ritmo de comercialização em linha com o mesmo período do ano passado. Em relação ao período pré-pandemia, as compras continuam mais tardias, indicando uma mudança no comportamento do produtor. Na empresa, os herbicidas lideram a comercialização, com cerca de 80% negociados. Fungicidas e inseticidas, com índices entre 45% e 55%, normalmente são adquiridos mais perto da aplicação.
A despeito do cenário difícil, a expectativa da empresa é de um crescimento de 10% nas vendas em 2026, segundo o líder do negócio de proteção de cultivos da Bayer no Brasil, Tiago Santos. “Acreditamos que vai haver adoção de tecnologia em função dos problemas que temos de ervas, doenças, pragas”, justifica.
A visão é semelhante na subsidiária brasileira da americana UPL. “Embora existam diferenças relevantes entre regiões e culturas, percebemos um ambiente mais equilibrado do que o observado nos últimos dois anos”, afirma o CEO da UPL, Cristiano Figueiredo. “Ainda não vemos uma retomada acelerada do mercado, mas há sinais consistentes de normalização da demanda em diversos segmentos”, diz.
Segundo o executivo, a expectativa é de crescimento moderado para o mercado de defensivos em 2026 — ele não menciona números. A UPL apresenta desempenho melhor em soluções “mais diferenciadas”, diz ele, enquanto os segmentos mais comoditizados sofrem mais pressão competitiva.


Globo Rural

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