Política

Cascas de banana e ‘cortina de fumaça’: os bastidores do choque de Milei para Flávio e Lula

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A presença de líderes estrangeiros na campanha presidencial brasileira ganhou força com a participação de Javier Milei na convenção que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. No programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, o colunista Robson Bonin e os editores Laryssa Borges e José Benedito da Silva avaliaram que a estratégia pode ajudar o senador a mobilizar sua base e desviar o debate de temas incômodos, mas que, segundo eles, dificilmente amplia seu eleitorado (este texto é um resumo do vídeo acima).

O debate ocorreu após uma semana marcada pelas declarações de Milei contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes. O presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e se referiu a Moraes como “lixo careca”. O caso provocou reação diplomática brasileira. Em outro episódio, declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai provocaram reação de políticos do país vizinho.

As polêmicas medidas de Donald Trump

Por que o Planalto quer evitar a briga com Milei?

Segundo Laryssa, a orientação inicial do Palácio do Planalto foi evitar uma escalada com o presidente argentino. Na avaliação apresentada pela jornalista, Milei buscaria projeção política interna ao transformar o confronto com o governo brasileiro em parte de seu discurso.

“É tudo um jogo de cena, um movimento político que o Planalto detectou e pediu para que ninguém caísse em cascas de banana”, afirmou. Segundo ela, embora integrantes do governo tenham respondido às provocações, o adversário externo considerado mais relevante pelo Planalto é Donald Trump. A jornalista disse que o governo brasileiro trabalha com a perspectiva de que o presidente americano tente exercer influência sobre a eleição no país.

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A polêmica ajuda Flávio Bolsonaro?

Para Bonin, a reação do governo aos ataques de Milei acabou deslocando a campanha para um terreno mais confortável para Flávio. Antes da controvérsia, segundo o colunista, o senador vinha sendo pressionado por outros assuntos incômodos à sua candidatura. Na avaliação do jornalista, ao alimentar a controvérsia, o governo “mordeu a isca” e ajudou a ofuscar outros temas que vinham pressionando o candidato.

Bonin argumentou ainda que a estratégia eleitoral de Flávio está fortemente associada à identidade política de Jair Bolsonaro. Nesse contexto, debates envolvendo personagens estrangeiros identificados com a direita evitariam uma discussão mais ampla sobre propostas e questões nacionais. “Quanto menos ele se expor a um debate real sobre o país e questões eleitorais, melhor”, afirmou.

Lula também corre riscos ao comprar confrontos externos?

José Benedito avaliou que o governo deveria reduzir o envolvimento em confrontos diplomáticos que podem ser explorados eleitoralmente. Ao comentar a declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai, o editor afirmou que o presidente criou uma controvérsia desnecessária. “Tem um ditado que diz que quem fala demais dá bom dia a cavalo. O Lula às vezes fala demais e acabou criando um baita problema”, disse.

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Segundo José Benedito, episódios desse tipo fornecem instrumentos políticos a adversários externos. “Se eu fosse o governo Lula, tiraria o pé e pararia de comprar esse tipo de briga”, afirmou.

Milei pode trazer votos para Flávio?

Laryssa demonstrou ceticismo sobre a capacidade de a aproximação com Milei ampliar a votação de Flávio. “Não existe uma razão do ponto de vista eleitoral, de votos, para colocar o Milei. Nenhum eleitor vai ver o Milei atacando Lula e falar: ‘Ah, sim, vou votar no Flávio Bolsonaro’”, afirmou. Para ela, a intenção do senador é transmitir uma imagem de interlocução internacional e tentar se apresentar como algo além de “apenas o filho do ex-presidente”.

José Benedito fez avaliação semelhante. “Eu acho que ele não ganha nenhum voto com essa aliança, porque ele escolheu três dos políticos mais controversos do mundo”, afirmou, referindo-se a Milei, Trump e Benjamin Netanyahu. Segundo o editor, a aproximação pode, “no máximo”, mobilizar eleitores que já apoiam o senador.

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O custo, na avaliação de José Benedito, é deixar em segundo plano a articulação política doméstica. Ele relatou que integrantes do PL reclamam que Flávio dedica atenção excessiva às conexões internacionais enquanto negligencia alianças no Brasil. Para o editor, conquistar apoios de PP, União Brasil e Republicanos teria maior importância para a campanha. Ao mesmo tempo, concordou com Bonin que a agenda internacional oferece ao senador uma “cortina de fumaça” diante de assuntos mais incômodos — um efeito que ajuda a explicar por que a disputa eleitoral brasileira começa a atravessar as fronteiras antes mesmo do início oficial da campanha.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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