Preços de soja e milho sobem em Chicago com novas projeções de safra


O preço da soja fechou o último pregão da semana na bolsa de Chicago com preços em leve alta. Os contratos da oleaginosa para novembro avançaram 0,24% nesta sexta-feira (21/8), a US$ 12,3950 o bushel.
A semana foi marcada por dados da safra americana, apresentados pela Pro Farmer Crop Tour, expedição que percorre as principais áreas de produção do país. Finalizadas as análises de campo, os técnicos da Pro Farmer estimaram a colheita de 124,42 milhões de toneladas de soja. O número é maior que as 122,98 projetadas pelo Departamento de Agricultura americano (USDA), em seu relatório de oferta e demanda de agosto.
Para Daniele Siqueira, analista da AgRural, os dados da Pro Farmer têm uma força secundária para a definição dos preços em Chicago.
“Os números da Pro Farmer fizeram a subir durante a semana. Mas o que manda mesmo no mercado é muito mais a geopolítica, movimentos financeiros e influência de outros mercados”, destaca.
A colheita americana de soja, que terá início em setembro, pode trazer novamente os preços para baixo, segundo a analista.
“Normalmente, a colheita nos EUA causa uma pressão negativa sazonal em Chicago. O tamanho dessa pressão vai depender da combinação de outros fatores, como desdobramentos da guerra no Irã, encontro entre presidentes dos EUA e China, e ainda especulações em torno do plantio no Brasil”.
Milho
O preço do milho seguiu em Chicago, em meio às notícias pessimistas para a safra dos Estados Unidos. Os contratos para dezembro avançaram 0,99%, a US$ 5,0850 o bushel.
A Pro Farmer Crop Tour mostrou durante esta semana que as lavouras do país perderam potencial produtivo. Após levantamento das principais áreas, a safra de milho americana foi projetada em 389,75 milhões de toneladas, abaixo das 406,75 estimadas pelo USDA em agosto.
Para Daniele Siqueira, da AgRural, isso aconteceu porque o clima durante a principal fase de definição da produtividade do milho, em julho, foi mais desfavorável. Ela ressalta, no entanto, que as perdas apontadas pela Pro Farmer não devem mudar o balanço de oferta americano.
“Apesar das produtividades mais baixas em relação aos recordes da temporada passada, os EUA têm safras de milho e soja muito boas neste ciclo 2026/27. Não são recordes, não são perfeitas, mas são safras muito boas, na média do país”, destacou.
Trigo
As cotações do trigo fecharam o último pregão da semana na bolsa de Chicago em queda após um movimento de realização. Os lotes para dezembro fecharam em baixa de 0,11%, para US$ 6,9925 o bushel.
O foco do mercado permanece nas tensões entre Rússia e Ucrânia e nos ataques militares que prejudicam o escoamento de grãos pelo Mar Negro.
Sob esse contexto de guerra, a Rússia, maior exportador de trigo do mundo, deve ter em agosto o menor volume de vendas externas desde 2010, estimadas em 2,2 milhões de toneladas pela consultoria SovEcon.
A empresa também reduziu a estimativa de produção russa em 2026/2027 de 88,50 milhões de toneladas para 88,20 milhões, diante do recuo na área plantada.
Globo Rural


