Economia

Índia vai pressionar por interligação de moedas digitais do Brics, dizem fontes

NOVA DÉLHI, 10 ⁠Set (Reuters) – A Índia vai pressionar pelo interligamento das moedas ⁠digitais de bancos centrais (CBDCs) entre os países do Brics para pagamentos transfronteiriços ‌em uma cúpula no final desta semana, apesar dos obstáculos políticos e técnicos que podem limitar o progresso, disseram duas fontes familiarizadas com as discussões.

A Índia tem a presidência do Brics ‌este ano, e os líderes do bloco devem se reunir em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro. O banco central da Índia (RBI) propôs a integração das moedas digitais oficiais dos países para facilitar o comércio internacional, informou a Reuters em janeiro.

O grupo do Brics inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além ⁠do ‌Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A proposta de vincular as ⁠CBDCs fará parte da pauta da reunião dos líderes, disseram as fontes, embora a adoção limitada de moedas digitais em nível global possa complicar a implementação. Elas não quiseram se identificar devido à delicadeza do assunto e por não estarem autorizadas a falar com a mídia.

Os ministérios das Relações Exteriores e das ​Finanças da Índia, bem como ao banco central da Índia (RBI), não responderam a pedidos de comentário.

Desafios políticos e técnicos

A proposta da Índia se baseará na declaração ​de 2025 da cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que promoveu a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos membros para tornar as transações internacionais mais eficientes.

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Qualquer iniciativa para interligar as CBDCs, no entanto, provavelmente enfrentará desafios significativos. Discussões anteriores no âmbito do Brics sobre a criação de mecanismos de pagamento compartilhados tiveram pouco ‌avanço, ressaltando as dificuldades de integrar a infraestrutura financeira ​de um grupo diversificado de países.

As relações tensas entre países, como o Irã e os Emirados Árabes Unidos, continuarão sendo um ponto de atrito, já que os Emirados Árabes Unidos cortaram laços financeiros com ⁠o Irã, disse uma das duas ​fontes.

A Índia também tem ​se mostrado relutante em aprofundar a conectividade financeira com a China, afirmou a segunda fonte, acrescentando que tais ⁠acordos exigiriam uma confiança mais profunda entre ​os vizinhos. A Índia suspendeu a proposta do Alipay+ de se conectar ao sistema de pagamentos instantâneos do país para transações transfronteiriças devido a preocupações com a segurança nacional, por causa ​de suas ligações com a China, informou a Reuters.

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Acordos de swap cambial também seriam necessários para ajudar a gerenciar os desequilíbrios comerciais antes que ​qualquer integração de CBDC pudesse ⁠entrar em operação, acrescentou a fonte.

Os países do Brics já haviam explorado alternativas aos pagamentos baseados no dólar, ⁠incluindo uma proposta do Brasil para uma moeda comum para o grupo, embora o plano nunca tenha avançado. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia alertado o bloco contra tal medida, ameaçando impor tarifas.

A Índia não tem interesse em substituir o dólar, e a interligação das moedas digitais oficiais visa tornar os pagamentos transfronteiriços mais fáceis e rápidos, afirmou a segunda ​fonte.

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Infomoney

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