Política

Flávio Bolsonaro liga Lula a Moraes em ato na Paulista com defesa de Mendonça

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, promoveu ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista nesta segunda-feira (7) no qual fez uma série de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, associando o magistrado ao presidente Lula (PT).

“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse o presidenciável em discurso.

Para o candidato do PL, há um “consórcio” de Lula com o ministro e prometeu que, se eleito, vai trabalhar para “resgatar a credibilidade” do Supremo.

Bolsonaristas tentaram impulsionar o ato na última semana tendo como combustível as mensagens reveladas entre o ministro do Supremo e Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O próprio Flávio, porém, enfrenta desgastes na campanha por causa do caso Master. Em maio, foi revelado que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse“, sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL). O episódio está sob investigação da Polícia Federal. O senador nega irregularidades e não apresentou documentos que comprovem o destino dos valores, diferentemente do que afirmou que faria.

No discurso desta segunda, Flávio não citou diretamente o Master nem Vorcaro. Afirmou que é preciso “proteger o STF de Moraes” e que o país vive “caos moral”. “O Supremo não é Alexandre de Moraes”, afirmou, seguindo uma estratégia de, desta vez, não atacar instituições, apesar de já ter criticado a corte.

Também disse que “vão tentar mais uma vez interferir nas eleições“, sem especificar a quem se refere, e comparou essa situação com a facada sofrida pelo pai durante a campanha de 2018. Ainda chamou o 8 de Janeiro de “farsa”. Em outras ocasiões, Flávio acusou Moraes diretamente de tentativa de interferência no pleito.

O filho de Jair Bolsonaro citou as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. “Quem está bancando o Lulinha na Espanha?”.

De olho no eleitor não alinhado ao bolsonarismo, nem ao petismo, Flávio e seus aliados imprimiram ao evento a tônica de que não querem ameaçar o Supremo —mas protegê-lo, por meio da saída de Moraes.

No início de agosto, Flávio já havia defendido o impeachment de ministros do STF que, segundo ele, cometeram crime de responsabilidade, citando nominalmente, além de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Nesta segunda, apoiadores levaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de fotos de condenados do 8 de Janeiro, chamados de presos políticos. Houve ainda um boneco inflável do presidente americano, Donald Trump, segurando Lula com roupa de presidiário. Embaixo, lia-se os dizeres, em inglês: “Trump, liberte o Brasil” —em janeiro, o governo americano capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Antes do início do comício, um grupo de manifestantes de esquerda entrou em confronto com outro grupo que chegava para o ato da direita na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Santos. “A PM e a GCM [Guarda Civil Metropolitana] intervieram para conter as partes”, informou a corporação em nota.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o disparo de bombas de gás lacrimogêneo.

Bolsonaristas também se mobilizaram em defesa do ministro do Supremo André Mendonça, que é relator do caso Master e que na terça-feira (1º) retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro. Em despacho no inquérito das fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Cartazes dos presentes manifestavam apoio ao magistrado. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, discursou e pediu aplausos dos presentes para o ministro do Supremo.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) gritou “fora, Moraes” e afirmou que, no próximo ano, Flávio Bolsonaro vai indicar quatro ministros do Supremo.

Ele mencionou o áudio revelado de uma conversa sua com Vorcaro, afirmando que nunca fez contrato com o ex-banqueiro e que Vorcaro nunca pediu que ele interferisse na atuação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

“Se não, não me chamaria Nikolas Ferreira, me chamaria Alexandre de Moraes. E seu lugar, Xandão, é na cadeia”, disse.

Nikolas criticou ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Outro que discursou foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. O governador disse que o Supremo precisa se unir para apurar o caso. “Uma resposta institucional é necessária”.

Silas Malafaia fez uma fala dura contra Moraes, a quem chamou de “ditador”. Segundo Malafaia, os indícios de que Moraes revisou o contrato de Vorcaro com o escritório de advocacia da mulher do ministro são “a prova da compra do poder e da influência desse ditador”.

Malafaia afirmou que o objetivo com seu discurso não era pregar vingança nem descredibilizar o Supremo, e pediu que o ministro Edson Fachin, presidente do STF, afaste Moraes. “Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República”, disse.

Candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL) criticou Moraes e disse que “não existe Lula sem Alexandre”. Já o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tem sido cabo eleitoral de Flávio na capital paulista, afirmou que “supremo é o povo brasileiro”.

Em um discurso breve, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro, disse que Lula prometeu picanha e entregou pizza parcelada. Presidente do PL, Valdemar Costa Neto afirmou que “Bolsonaro vai ficar preso mais dez anos se Flávio não for eleito”, puxando um coro de “volta, Bolsonaro”.

Flávio chegou ao local por volta das 15h, e o ato terminou às 17h. Entre os aliados presentes, estavam o candidato ao Governo do Rio Douglas Ruas (PL); o candidato ao Governo do Paraná Sergio Moro (PL); o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ); os candidatos ao Senado em São Paulo Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), além de uma série de deputados federais e estaduais que concorrem à reeleição.

O protesto virou plataforma de campanha —equipes do Republicanos, PL e PP distribuíam santinhos.

Levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common calculou que o público na Paulista foi de 28 mil pessoas. A medição foi feita às 16h32, momento de pico da manifestação, por meio de fotos tiradas por drones e sistemas de inteligência artificial.

As mesmas entidades calcularam público de 42,2 mil pessoas no ato do ano passado e de 45,4 mil em 2024.

A equipe de Flávio já previa um ato menor, considerando o frio na capital paulista. De acordo com a Defesa Civil, a temperatura máxima foi de 13°C, a tarde mais fria em São Paulo em setembro desde o ano 2000.

Também nesta segunda, Flávio estreou seu canal 24 horas, como antecipou a Folha. Ele participou de lives imediatamente antes e depois da manifestação. Após o ato, ele agradeceu à PM, mencionando que “esquerdopatas” foram à avenida Paulista mais cedo para “cometer crimes” e “tumultuar”.

No mais recente Datafolha, divulgado na quinta-feira (3), Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) subiu seis pontos e está em terceiro, com 8%.

Folha de São Paulo

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