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Casal vende água nos sinais para pagar casamento em Goiânia

Um casal de Goiânia encontrou uma forma inusitada de juntar dinheiro para realizar o casamento dos sonhos: vender água gelada nos sinais da cidade. Bruno Melo, de 28 anos, e Ana Luiza Piaza, de 23, costumam ficar no cruzamento da T-3 com a T-55, em frente ao Manda Picanha, onde começaram a trabalhar em abril, depois de decidirem que se casariam em 17 de outubro de 2026.

Com placas penduradas no corpo e garrafas de água nas mãos, os dois abordam motoristas para tentar arrecadar o dinheiro necessário para a festa. Na placa, o pedido é direto: “Me ajude a casar, água gelada R$ 4,00”. O material também traz um QR Code e a data escolhida para a cerimônia.

Bruno e Ana vendem água nos sinais de Goiânia para juntar dinheiro para o casamento (Foto: Arquivo pessoal)

O primeiro dia de vendas foi em 18 de abril. Sem experiência anterior com esse tipo de atividade, Bruno e Ana começaram apenas com a disposição de trabalhar para alcançar o objetivo. Desde então, a rotina também passou a incluir a venda de doces na igreja e de água no Parque Vaca Brava aos domingos.

A ideia de vender nos sinais surgiu durante um período de oração do casal. Bruno conta que teve receio de apresentar a proposta a Ana, principalmente pela rotina que os dois teriam de conciliar com os preparativos do casamento. A reação dela, segundo ele, foi imediata.

“Quando que a gente começa?”, teria perguntado Ana.

Para Bruno, a resposta mostrou que os dois estavam dispostos a enfrentar juntos o desafio. Ele afirma que nunca considerou a venda de água um trabalho inferior e que o esforço nos cruzamentos representa uma forma de construir, juntos, o casamento que desejam.

Uma data escolhida antes mesmo do namoro

A história do casal começa antes mesmo de Bruno e Ana se conhecerem. A data escolhida para a cerimônia, 17 de outubro de 2026, já havia sido definida por Ana anos antes do relacionamento.

Ela escreveu uma carta para Deus registrando o desejo de se casar naquele dia. A escolha também tem relação com a família. O sogro e a sogra de Ana se casaram em 17 de setembro, enquanto a cunhada escolheu 17 de agosto.

Quando começou o relacionamento com Bruno, Ana apresentou a data que havia escolhido. Os dois passaram a considerar a possibilidade de realizar a cerimônia em 2026, já que, segundo eles, o dia 17 de outubro voltaria a cair em um sábado somente alguns anos depois.

O casal começou a orar sobre a decisão e resolveu seguir com os planos. A partir daí, surgiu outro desafio: conseguir dinheiro suficiente para pagar a festa.

Inicialmente, a cerimônia seria para cerca de 100 pessoas. Com o tempo, a lista aumentou e passou a ter previsão de mais de 300 convidados. Com aproximadamente oito meses até o casamento, os dois precisaram encontrar maneiras de levantar recursos. Foi nesse cenário que a venda de água nos sinais entrou na rotina do casal.

Venda de água levou casal ao local da cerimônia

O trabalho nos cruzamentos acabou ajudando Bruno e Ana a encontrar também o espaço onde pretendem realizar a festa. Durante um dos dias de vendas, os dois precisaram procurar gelo em uma distribuidora próxima ao ponto onde trabalhavam.

No caminho, passaram em frente ao Bistrô Sofia, estabelecimento que chamou a atenção de Ana. Como os dois já procuravam um local para a cerimônia, ela sugeriu que fossem conhecer o espaço.

Depois de terminar as vendas, o casal voltou ao estabelecimento. No dia seguinte, fez uma visita oficial com o proprietário e explicou que pretendia se casar em 17 de outubro de 2026.

Segundo Bruno e Ana, o proprietário consultou a agenda e informou que havia apenas um sábado disponível naquele ano. Era justamente o dia escolhido por Ana antes mesmo de conhecer o futuro marido.

A coincidência fez com que os dois decidissem contratar o espaço. Depois de conseguirem o dinheiro para dar a entrada, Bruno preparou uma surpresa para Ana. Ele havia decidido que, caso conseguisse fechar o local, faria ali mesmo o pedido de casamento. Foi no Bistrô Sofia que ele pediu Ana em casamento.

A partir da divulgação da história, outras pessoas também passaram a oferecer ajuda ao casal. Durante as vendas nos sinais, motoristas e comerciantes perguntaram se eles já tinham conseguido alianças, fotógrafo e outros serviços para a cerimônia.

Em uma dessas situações, o casal recebeu as alianças da Lince Joias e conseguiu um desconto significativo. Eles também ganharam o fotógrafo para o casamento civil e, posteriormente, outro profissional se ofereceu para registrar a cerimônia.

Outros itens foram conquistados ao longo do caminho. Por meio de pessoas que conheceram durante as vendas, Bruno conseguiu o terno para o casamento civil, enquanto Ana recebeu o vestido. Os dois também conseguiram serviços de maquiagem e cabelo.

O casal ainda recebeu uma oferta de buffet para o chá de panela depois que uma mulher os conheceu enquanto vendiam água no antigo ponto, na região da T3 com a T10. Como o espaço escolhido para o casamento já oferece buffet, eles decidiram aproveitar a oportunidade para realizar o chá.

Casal ainda busca dinheiro para concluir preparativos

Apesar das conquistas, Bruno e Ana ainda precisam arrecadar dinheiro para finalizar os preparativos. O pagamento do espaço deve ser concluído até 2 de outubro. Além disso, o casal ainda pretende contratar DJ, iluminação e serviços relacionados aos arranjos e às flores.

A lua de mel também ainda não foi definida financeiramente. Por isso, os dois continuam vendendo água nos sinais, doces na igreja e procurando outras formas de conseguir recursos.

A rotina inclui dias de calor intenso e também situações desagradáveis. Segundo o casal, alguns motoristas fazem comentários ofensivos durante as vendas. Em outros momentos, eles encontram pessoas que incentivam e ajudam na arrecadação.

“Tem dias que o pessoal está super acolhedor, está super motivador. Tem dias que o pessoal está descendo a lenha”, relatam.

Mesmo diante das dificuldades, Bruno e Ana continuam trabalhando. Para eles, a atividade representa um esforço conjunto para alcançar um objetivo que foi planejado pelos dois.

Além das vendas, o casal passou a registrar a rotina nas redes sociais. A ideia é transformar o perfil em uma espécie de diário dos preparativos, mostrando as dificuldades, as conquistas e o caminho percorrido até o casamento.

Para Bruno e Ana, a festa vai além da cerimônia. O desejo é reunir familiares e amigos e compartilhar com eles a trajetória que os levou até o altar.

“Até no dia ruim tem sido bom”, resumem.

Com parte dos custos ainda pendente, os dois afirmam que continuarão trabalhando até conseguir concluir os preparativos para o casamento, marcado para 17 de outubro de 2026.

Como ajudar o casal

Quem quiser contribuir com o casamento de Bruno e Ana pode fazer uma doação pela chave Pix:

Chave Pix: 62 98562-4495
Titular: Bruno Matos de Melo

O casal também compartilha a rotina das vendas e os preparativos para o casamento no Instagram @direto_pro_altar.

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