Política

Conheça a história do prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo

Demorou para que a Assembleia Legislativa de São Paulo ganhasse uma sede própria, construída para abrigar os deputados do estado.

Localizado em frente ao lago do parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, o prédio de 1968 que hoje abriga a Assembleia Legislativa do estado foi o primeiro edifício construído com esse fim na capital paulista.

Antes, o legislativo paulista passou por três sedes. De 1835 –quando foi instaurada a Assembleia Legislativa da Província de São Paulo, ainda no período imperial– até 1879, a assembleia ficava no atual Pátio do Colégio, no centro da cidade.

Em 1879, passou para a atual praça João Mendes, onde fica o maior fórum civil do país. A assembleia permaneceu se reunindo ali até 1937, quando passou para o parque Dom Pedro 2º, também na região central.

Em 1968, num período de endurecimento do regime militar, foi inaugurado o Palácio Nove de Julho, em frente ao lago do parque Ibirapuera.

Dois arquitetos assinam o projeto do prédio: Adolpho Rubio Morales e Fábio Kok de Sá Moreira. O edifício é fortemente inspirado no modernismo de Oscar Niemeyer, arquiteto que projetou as sedes do governo em Brasília e o parque do Ibirapuera.

O edifício é um bloco único retangular, revestido de granito cinza e mármore branco. O acesso é feito por uma rampa principal, em mármore branco, que lembra as rampas da capital federal. A entrada, um portal de vidro e estruturas de metal, dá acesso ao térreo. As deliberações ocorrem no primeiro andar.

A proposta para a construção de uma nova sede veio em 1961 a partir do então presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Costa de Abreu Sodré. Foi ele quem celebrou, oito anos depois, a inauguração do prédio.

“A construção, em lugar apropriado na capital paulista, de um edifício que propicie à Casa das Leis o exercício normal de suas funções específicas, não só possibilitará maior rendimento às atividades parlamentares como oferecerá o indispensável decoro e as instalações condizentes com a majestade do Poder que, mais que qualquer outro, encarna e reflete a soberania popular”, disse ele, à época.

Em 1961, foi lançado um concurso para eleger o novo projeto. No júri estavam os arquitetos Ícaro de Castro Mello, Oswaldo Bratke e Paulo Antunes Ribeiro. Dentre os 197 inscritos, 46 apresentaram seus projetos. O vencedor foi o de Rubio Morales. Sua equipe era formada, ainda, pelos arquitetos Fábio Kok de Sá Moreira, Edla Maria Soares Rubio, Ruth do Valle Kok de Sá Moreira e Ludovico Martino.

A comissão elogiou a simplicidade do projeto e afirmou que “[a] majestade espontânea e o caráter indicam o fim a que se destina o edifício”. O prédio foi inaugurado no aniversário da cidade, em 25 de janeiro, depois de cinco anos, seis meses e 23 dias de obras.

Nascido no interior paulista em 1924 e filho de imigrantes espanhóis, Rubio Morales construiu, ainda, a sede da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo