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Mensagens mostram presidente do BRB e Vorcaro tentando contornar ‘vícios insanáveis’ de operações

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Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Mensagens de celular recuperadas pela Polícia Federal mostram que seis meses antes disso, em maio, o banqueiro Daniel Vorcaro já discutia fórmulas de driblar as regras do sistema financeiro para fechar operações diretamente com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O BRB tentou comprar o Master, o que acabou resultando num prejuízo calculado em 12 bilhões de reais. A transação envolveu  negociações com títulos podres, sem lastro. Segundo a PF,  as mensagens de telefone entre Vorcaro e Paulo Henrique já sabiam que as  carteiras de créditos negociadas apresentavam “vícios insanáveis”.

Paulo Henrique escreveu a Vorcaro pedindo cópias de contratos com associações baianas envolvidas nas operações financeiras — a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (ASTEBA) e a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (ASSEBA). Muitas operações do Master tinham origem nestas associações.

“Amigo, acha que consegue vencer esses 400 hoje e termos até segunda pra sanar tudo?”, dizia Vorcaro a Paulo Henrique, fazendo referência a uma operação financeira. “Situação tá bem crítica, não vamos conseguir”, continuou o dono do Master. Em sua resposta, Paulo Henrique deixa claro que já estava tendo dificuldades de passar por cima das regras.

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“Infelizmente não conseguirei superar sem as comprovações de averbação”, responde Paulo Henrique. “Tentamos por várias semanas e precisei me comprometer que não faríamos mais operações sem isso e a assinatura do contrato de auditoria”, diz o então presidente do BRB.

Mensagens do presidente do BRB e do dono do Master – (Polícia Federal/Reprodução)
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A investigação da Polícia Federal mostrou que o Banco Master conseguiu montar operações sem lastro para contornar as exigências do sistema financeiro. “Verificou-se a realização reiterada de recompras de carteiras pelo Banco Master em razão de vícios nos créditos cedidos ao BRB, incluindo ausência de lastro documental válido, inexistência de consentimento dos supostos devedores e dúvidas quanto à origem das obrigações”, diz relatório.

Segundo a PF, as duas instituições continuaram fazendo operações, mesmo diante dos alertas quanto à falta de lastro. “Apesar do reconhecimento dessas falhas pelo BRB, as recompras não resultaram na suspensão das cessões, que continuaram a ocorrer paralelamente, inclusive com ativos de características semelhantes às carteiras devolvidas”, concluiu o relatório.

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