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Goiano de Trindade vive há 26 anos nos EUA e vende pequi

Há 26 anos, Roberto Leandro Rodrigues de Araújo, de 47 anos, deixou Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, para passar três meses nos Estados Unidos com a esposa. Recém-casado, ele tinha 21 anos quando viajou para o país, onde uma irmã já morava. A intenção era aproveitar a lua de mel e voltar ao Brasil, mas a viagem que deveria durar apenas três meses acabou se transformando em uma vida construída nos Estados Unidos.

Hoje, Roberto trabalha com a venda de produtos brasileiros e começa a rotina ainda de madrugada para abastecer clientes com pequi, pamonha, banana, arroz, frutas e outros alimentos. As mercadorias são levadas a diferentes regiões dos Estados Unidos e, para muitos brasileiros que vivem longe do país, representam a oportunidade de reencontrar sabores que não provavam havia anos.

Viagem de três meses aos EUA muda planos e vira uma nova vida

Antes de deixar Trindade, Roberto trabalhava com uma Kombi escolar particular, levando crianças para a escola. A vontade de conhecer os Estados Unidos surgiu porque uma irmã já morava no país. Conseguir o visto, porém, foi difícil e levou cerca de quatro meses.

“Depois de muita dificuldade, uns quatro meses indo lá, aí eles me concederam o visto”, contou.

Roberto se casou em setembro de 2000 e, no mês seguinte, embarcou para os Estados Unidos. Ao chegar, já tinha um trabalho à espera, mas precisou se adaptar à rotina e ao clima diferentes do Brasil.

Roberto e a esposa se casaram em setembro de 2000 e, pouco depois, viajaram juntos para os Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

“Você sai do seu país, do seu conforto, porque eu trabalhava para mim. Estava em casa, tinha minha rotina e, de repente, cheguei a um país onde estava começando a mudança do calor para o frio. Você começa a ver escurecer mais cedo e fica assustado”, relatou.

Depois de alguns anos nos Estados Unidos, Roberto decidiu voltar ao Brasil com a esposa e o filho. A família permaneceu cerca de três anos. Durante esse período, ele foi assaltado perto do prédio onde morava, uma experiência que contribuiu para a decisão de retornar aos Estados Unidos.

De volta ao país, Roberto retomou o trabalho e a família voltou a viver em Massachusetts. Foi nessa segunda fase que ele se aproximou do comércio de produtos brasileiros, por meio da irmã, que já trabalhava com exportação e distribuição.

A partir do convite da irmã, Roberto passou a trabalhar com ela e o cunhado, iniciando uma nova fase profissional nos Estados Unidos.

Do pequi de Trindade às mensagens de quem vive há 20 anos longe do Brasil

A história com os alimentos brasileiros começou durante uma visita da irmã a Trindade. Em um supermercado da cidade, ela encontrou pequi e viu no produto uma oportunidade de negócio entre os brasileiros que viviam nos Estados Unidos.

A família entrou em contato com um fornecedor de Goiás e decidiu testar a primeira remessa.

“Deu certo nossa primeira remessa, foi um sucesso, aí começamos”, contou.

O pequi abriu espaço para outros produtos. Hoje, Roberto sai diariamente com mercadorias como pamonha, banana e outras frutas brasileiras. A atividade alcança clientes em Massachusetts, Nova York e Flórida.

O pequi também despertou o interesse de americanos. Roberto conta que já foi abordado por pessoas que reconheceram o fruto nos pacotes e disseram que conheciam e gostavam do sabor. Ele também destaca o papel dos restaurantes brasileiros, que ajudam a apresentar ingredientes e pratos típicos do país a pessoas nascidas nos Estados Unidos.

Uma das maiores repercussões veio depois que um vídeo relacionado ao pequi circulou nas redes sociais e alcançou pessoas em diferentes lugares. Para Roberto, a divulgação ajudou a ampliar o alcance do produto.

A operação exige uma rotina puxada. Ele acorda por volta das 4h da manhã, carrega o veículo e sai para fazer as vendas. O dia normalmente termina entre 20h e 21h.

Parte dos produtos sai de Goiás e chega aos Estados Unidos por transporte aéreo. A mercadoria passa por inspeção e, segundo Roberto, um carregamento que deixa Goiás pode chegar a Boston no dia seguinte.

Uma rotina que leva Goiás para quem está longe do Brasil

A operação exige uma rotina puxada. Roberto acorda por volta das 4h da manhã, carrega o veículo e sai para fazer as vendas. O dia normalmente termina entre 20h e 21h.

Mas o trabalho ganhou um significado que vai além da venda. Roberto conta que recebe mensagens de brasileiros que vivem há décadas nos Estados Unidos e não conseguem voltar ao Brasil.

“Tem gente que mora aqui há 20 anos, que nunca teve jeito de voltar ao Brasil. E quer comer um pequi, quer comer uma pamonha”, relatou.

A experiência também faz parte da história de Roberto. Ele ficou cinco anos sem visitar o Brasil e, quando conseguiu voltar, queria comer alimentos que não encontrava nos Estados Unidos.

De fitas alugadas ao jornal todos os dias

A diferença em relação ao início da vida no país também é grande. Quando chegou, há 26 anos, Roberto conta que não havia canais brasileiros disponíveis como existem atualmente. Para acompanhar notícias e novelas, era preciso recorrer a fitas alugadas. Hoje, mesmo morando nos Estados Unidos, ele acompanha diariamente o noticiário do estado onde nasceu.

“Hoje tem tudo, hoje a gente assiste jornal local de cada estado. Eu vejo o jornal de Goiás todo dia”, contou.

A ligação com a terra natal também aparece na própria origem dos produtos que vende. A família de Roberto tem raízes no campo, e ele lembra que o avô tinha uma fazenda na região de Abadia. Por isso, afirma que uma das motivações do trabalho é também valorizar os agricultores responsáveis pela produção dos alimentos.

Para o futuro, Roberto pretende voltar a morar em Trindade depois da aposentadoria. Enquanto isso, continua viajando ao Brasil durante as férias e mantendo nos Estados Unidos uma atividade que, para ele, aproxima brasileiros do lugar onde nasceram.

“Eu tô com 47 anos, então tem tempo ainda. Dá tempo de trabalhar muito ainda e ajudar muitas pessoas a comerem uma boa pamonha e um bom pequi lá nos Estados Unidos”, afirmou.

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