Política

Campanha de Lula buscará apoio de líderes regionais do centrão após Flávio Bolsonaro costurar com partidos

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (6) que conversou com os líderes de partidos do centrão, como PSD e Republicanos, em busca de apoio nestes momentos finais antes do segundo turno das eleições.

Por ora, o PSD declarou neutralidade nestas eleições, o que permite que os integrantes fiquem livres para manifestar apoio a um ou outro candidato sem compromisso partidário. De acordo com Edinho, na conversa com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, o espaço ficou aberto para a busca de líderes regionais.

“O Kassab disse a mim que o PSD ficará na neutralidade, mas que nós temos toda a liberdade de procurar as lideranças do PSD para dialogar. E e é isso que nós vamos fazer”, disse. “Eu conversei hoje com o presidente Marcos Pereira. O Republicanos está ainda definindo a posição, mas também estamos dialogando com várias lideranças do Republicanos.”

A movimentação ocorre após Flávio Bolsonaro (PL) costurar alianças com o centrão nesse segundo turno. Cabeça de chapa de Kassab, Ronaldo Caiado, por exemplo, já oficializou apoio a Flávio.

A declaração foi dada após reunião da cúpula do partido e da campanha de Lula, um dia depois de o presidente reunir aliados de todo o país —entre eleitos e derrotados — para tratar dos rumos no segundo turno. O petista precisará superar Flávio, que saiu com mais de 2 milhões de votos à frente do petista no primeiro turno.

A reunião desta terça foi marcada por críticas à comunicação comandada por Edinho e por Sidônio Palmeira, ministro da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência). Houve pedidos, inclusive, por troca no comando da equipe de comunicação.

Nesta linha, os aliados sugeriram maior influência de nomes como Camilo Santana e Geraldo Alckmin nas decisões da campanha. Uma das participantes, a ex-senadora Kátia Abreu, opinou que a ingerência da primeira-dama, Janja Lula da Silva, deveria ser reduzida, em paralelo a uma maior presença do vice-presidente.

Ainda entre as críticas, os participantes afirmaram que as peças da campanha estavam em tom morno, turbinando críticas mais ferrenhas ao rival apenas na reta final do primeiro turno. Abreu também mencionou o tópico da terras raras, ao qual avaliou não ser de interesse da população geral, apesar da importância.

Um dos petistas eleitos, que esteve presente na reunião, sugeriu a Sidônio que incluísse em futuros programas eleitorais um conjunto de políticas relativas à redução do custo de vida, de modo a buscar maior apelo das pessoas. Na perspectiva desse interlocutor, estratégias de comunicação adotadas pelo ministro acabaram indo na contramão do sentimento popular.

Para um membro da cúpula, Lula deve abraçar mais a imagem de candidato, com mais pedido por votos e mais trabalho na rua. A ideia é que o petista amplie o número de votos em regiões na qual perdeu, em comparação às últimas eleições, como as regiões Sul e Sudeste. Um mapeamento detalhado da votação ainda está sendo feito pelo partido, para ver onde há maior margem de crescimento para Lula.

Aliados também fizeram novos apelos para que o petista produza mais material para as redes sociais.

Entre os novos comandos para a equipe está mirar as abstenções (cerca de 30 milhões abriram mão de votar) e investir no medo da perda de programas sociais.

A partir dessa recomendação do presidente, a campanha vai realçar que há, da parte do adversário, compromissos com reformas que devem interromper ações sociais e que os adversários só conseguirão o que prometeram para o mercado se fizerem cortes em programas.

Além disso, o presidente disse que falará mais às rádios. Ao ouvir sugestões para realização de lives direcionadas ao eleitorado local, Lula disse que não deixará de ter contato com a população nas ruas. Apesar disso, há a expectativa de que Lula amplie sua presença em redes sociais.

Folha de São Paulo

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