Política

Mais de 800 auditores fiscais fizeram doações a candidatos a deputado estadual em MG

Mais de 800 auditores fiscais de Minas Gerais fizeram doações de pequeno valor para 16 candidatos a deputado estadual —deles, 11 foram eleitos.

Um levantamento a que a coluna teve acesso, baseado nos registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), indica que a maioria dos valores doados por 732 servidores da ativa e 121 aposentados foi de R$ 1.000, sendo que a maior quantia individual foi de R$ 3.000.

O candidato que mais recebeu doações foi Eduardo Azevedo (PL), irmão do governador eleito Cleitinho (Republicanos), que recebeu R$ 89,5 mil dos auditores.

O segundo foi Adalclever Lopes (PV), que buscava a reeleição e costuma apoiar pautas da categoria no Legislativo. Ele recebeu R$ 82 mil, mas não foi eleito.

Na lista de vitoriosos que receberam de auditores, ainda constam Leninha, presidente do PT em Minas, com R$ 68 mil, e Lud Falcão (Republicanos), esposa do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que recebeu R$ 14 mil.

Procurado, o Sindifisco-MG (Sindicato Dos Auditores Fiscais Da Receita Estadual De Minas Gerais), que representa a categoria, afirmou que não se envolve nem realiza doações a candidatos.

A entidade disse que as contribuições individuais dos auditores estão no exercício de sua liberdade de escolha e de manifestação política e que não cabe à entidade impedir ou constranger manifestações individuais, desde que observada a legislação vigente.

Os auditores de Minas fizeram uma ofensiva junto a deputados no primeiro semestre deste ano para a aprovação de projeto encaminhado pelo então governador Romeu Zema (Novo), que busca regularizar uma gratificação por produtividade paga a auditores e gestores fazendários.

A bonificação se tornou um componente relevante dos salários da categoria e teve seu valor relacionado, ao longo dos anos, ao crescimento da arrecadação estadual.

Em 2025, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que os reajustes devem ser estabelecidos por lei, não por atos administrativos baseados em autorização do Executivo.

A tramitação do projeto não andou na Assembleia, porque a oposição buscou incluir outras categorias entre as beneficiadas, e o texto aguarda análise da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Casa.


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Folha de São Paulo

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