Política

Lula cobra Kassio e diz que presidente do TSE ‘não pode ter lado’

O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (12) que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, precisa mostrar a ilegalidade do canal “Exército do Lula”, montado no Whatsapp pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para divulgar conteúdo da campanha petista.

“Eu não sei a decisão, não tô acompanhado essa decisão. De qualquer forma, o departamento jurídico da campanha vai cuidar dele. Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível, isso já foi denunciado”, disse Lula.

Kassio mandou suspender o canal no domingo (11), atendendo pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Pouco depois, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do TSE, derrubou a censura de Kassio e determinou que o canal volte a funcionar até que o plenário do TSE analise o assunto.

“Nós vamos continuar fazendo campanha e para ele achar que ele tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimento. Todos têm que ter o mesmo direito diante da justiça eleitoral. É isso que eu quero”, declarou.

“Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar agora o Exército, a Marinha, a Aeronáutica no WhatsApp. É a forma mais barata da gente fazer campanha e nós vamos continuar criando o nosso exército”, disse ainda.

A declaração foi feita após Lula participar de missa na capela de sua residência oficial, o Palácio da Alvorada, marcada por ocasião do dia de Nossa Senhora Aparecida. Ele acompanhou o rito ao lado de sua esposa, a primeira-dama Janja, e aliados, como o governador do Piauí, Rafael Fontelles (PT), e o senador Camilo Santana (PT-CE).

Além dos aliados políticos, entidades ligadas a movimentos de moradia popular acompanharam a missa. Filhos e filhas de integrantes dos movimentos participaram da cerimônia de homenagem à santa, tida como padroeira das crianças.

Lula usou o momento para destacar pautas importantes para sua campanha deste ano, como a votação no Congresso pelo fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança.

“Estamos preparando a vitória para o dia 25 de outubro. Estou convencido de que nós ganharemos essas eleições porque o povo brasileiro está desejoso de uma mudança com quem sabe fazer mudança, de mudança com quem já fez muitas coisas importantes para esse país e o povo quer que a gente aprimore”

A santa e o feriado ganharam importância específica nas eleições deste ano, quando notícias falsas afirmaram que o principal rival do petista, Flávio Bolsonaro (PL) retiraria de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil.

A história teve repercussão em parte do eleitorado católico e se tornou artilharia política entre os dois candidatos. Lula citou a notícia falsa contra o rival em entrevista, e disse que, enquanto fosse presidente, a santa continuaria como padroeira nacional.

Nesta segunda, ele voltou a falar sobre ataques à santa. “Nós fizemos aqui para homenagear o dia das crianças e o dia de Nossa Senhora Aparecida, sobretudo num instante em que a Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros”, disse.

“Esse gesto é para a gente poder mostrar que em um país civilizado, um país harmônico, um país democrático, ou seja, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos que respeitar.”

Havia expectativa de que Lula e Flávio comparecessem à Aparecida (SP), onde está o Santuário Nacional de Nossa Senhora, o maior do Brasil. No entanto, apenas o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e a esposa, Lu Alckmin, viajaram para o evento. Em paralelo, Flávio acompanha missa na catedral de Brasília, tradicional ponto turístico e católico da capital, por volta das 11h.

Folha de São Paulo

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