Saiba quem são as mulheres trans eleitas deputadas estaduais em 2026

A partir de 2027, ao menos três mulheres trans vão atuar como deputadas nas assembleias legislativas do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Sofia Favero (PSOL-SP) e Natasha Ferreira (PT-RS), eleitas pela primeira vez no pleito deste ano, se unem a Dani Balbi (PCdoB-RJ), que conquistou a reeleição.
O total pode chegar a quatro, a depender do julgamento da candidatura de Linda Brasil (PSOL-SE), que exerce mandato de deputada estadual em Sergipe. Terceira deputada mais votada no estado, ela tem registro que consta como indeferido no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com prazo para recurso ou recurso em andamento.
O impasse decorre de uma pendência relacionada à prestação de contas do partido Rede Sustentabilidade e da ausência de registro de sua diretoria junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o que afetou a federação PSOL-Rede.
Ao todo, o pleito teve 55 candidaturas de pessoas trans às assembleias legislativas, segundo levantamento da Folha, com base nos dados do TSE. Como a informação sobre identidade de gênero é facultativa no registro eleitoral, o total de candidatas pode ser maior.
Além das eleitas, 35 ficaram como suplentes, seis tiveram a candidatura considerada inapta e outras dez não se elegeram.
Na Câmara dos Deputados, Thabatta Pimenta (PV-RN) foi eleita deputada federal pela primeira vez e se somará a outras duas mulheres trans reeleitas, Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG).
Sofia Favero (PSOL-SP)
Sofia Favero é psicóloga e nasceu em Aracaju. Sua atuação é nas áreas de gênero, sexualidade e saúde da população trans.
Em 2024, defendeu tese de doutorado no programa de pós-graduação em psicologia social e institucional da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) sobre o cuidado em saúde com crianças trans.
A pesquisa se baseia no acompanhamento de crianças atendidas em 2023 e 2024 no Ambulatório de Identidade de Gênero do GHC (Grupo Hospitalar Conceição). No trabalho, ela critica práticas de avaliação de profissionais de saúde que, segundo a tese, partem do receio de que as crianças se arrependam.
Na segunda-feira (5), Favero acionou o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) contra a vereadora de Praia Grande (SP) e deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) por declarações com ataques à deputada federal Erika Hilton nas redes sociais.
Natasha Ferreira (PT-RS)
Natasha Ferreira é a primeira deputada estadual travesti eleita no Rio Grande do Sul. Entre as propostas de campanha estão uma política estadual de enfrentamento ao racismo, com metas em áreas como educação, saúde e segurança, e a criação de um sistema estadual de proteção a defensores de direitos humanos.
A deputada eleita também defende reunir em um sistema estadual dados sobre violações como LGBTfobia, racismo e intolerância religiosa. Ela propõe ainda políticas de acolhimento a pessoas idosas LGBTQIA+, com formação das equipes de instituições de longa permanência.
Dani Balbi (PCdoB-RJ)
Dani Balbi foi reeleita com 169.474 votos. Ela se apresenta como a primeira deputada trans do Rio de Janeiro e a primeira doutora e professora trans da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Professora de cinema, também é dramaturga e roteirista.
Entre as propostas de campanha estão cotas para pessoas trans nas universidades estaduais e escolas técnicas e a criação de um programa de combate à violência contra a população LGBTQIA+.
Também defende tarifa zero em todo o transporte público do estado, reajuste imediato do piso salarial regional e o pagamento de férias remuneradas e 13º salário a bolsistas da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), de iniciação científica ao pós-doutorado. A lista inclui ainda a criação do Museu Estadual da Memória e Verdade, cotas para negros e indígenas no Poder Executivo e uma política estadual de combate à misoginia.
Linda Brasil (PSOL-SE)
Linda Brasil nasceu em Santa Rosa de Lima (SE) e é formada em letras português-francês pela UFS (Universidade Federal de Sergipe), onde também fez mestrado em educação. Foi eleita vereadora de Aracaju em 2020 e deputada estadual em 2022, com 28.704 votos.
Antes dos mandatos, fundou a Amosertrans (Associação do Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais) e a CasAmor, casa de acolhimento para pessoas LGBTQIA+ sem apoio familiar. Na Assembleia, Linda afirma priorizar a destinação de emendas parlamentares a demandas da população e mantém grupos de trabalho em áreas como educação, direitos humanos, cultura e saúde.
Folha de São Paulo



