Flávio Bolsonaro cobra Meta no TSE e também se diz prejudicado após restrições contra Lula

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, ingressou com uma manifestação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta sexta-feira (16), na qual acusa a Meta de ser negligente e de permitir a proliferação do impulsionamento de anúncios negativos contra ele, prática vedada pela Justiça Eleitoral.
A equipe jurídica pede que Flávio entre como terceiro interessado na representação apresentada pela campanha de seu adversário, o presidente Lula (PT), que no último dia 9 levou ao tribunal a acusação de que a empresa americana estaria interferindo na disputa eleitoral a favor do candidato do PL.
Os advogados do petista argumentaram que a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, falhava em entregar conteúdos de Lula e de seus apoiadores. Eles também pediram informações sobre propagandas negativas impulsionadas contra o presidente.
Agora é Flávio quem afirma estar sendo prejudicado pela empresa. “A negligência da Meta está a converter a vida da campanha de Flávio e do Tribunal Superior Eleitoral num eterno e inaceitável enxugar de gelo”, diz o documento.
O candidato diz que os anúncios negativos são impulsionados por conta oficial de Lula e por terceiros.
Procurada, a empresa afirmou que “não toma partido nesta nem em nenhuma outra eleição”. “Alegações de que favorecemos qualquer uma das campanhas na disputa presidencial no Brasil não têm fundamento. Continuaremos a aplicar nossas regras, cumprindo a legislação eleitoral brasileira e corrigindo erros.”
Como mostrou a Folha, funcionários da Meta admitiram em mensagens internas restrições que prejudicaram as contas de Lula no Instagram, assim como a recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro na plataforma e no canal do candidato no WhatsApp, prática vedada pelo TSE.
No dia 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no Instagram por quase 24 horas.
“Se a Meta eventualmente errou ao restringir, por algumas horas, a conta de anúncios de uma candidatura, esse erro não pode ser examinado isoladamente, como se fosse o único fator de desequilíbrio, enquanto a outra candidatura suporta, há meses, a distribuição paga e massiva de propaganda negativa, por contratantes não legitimados e por páginas sem responsável identificado”, afirma a campanha de Flávio.
Nas conversas internas às quais a Folha teve acesso, executivos da empresa também falaram sobre a possibilidade de divulgar casos de falhas que afetariam também o candidato do PL, para desfazer a narrativa de que haveria interferência a seu favor.
Na quarta-feira (14), o PT voltou a acionar o TSE após ter registrado que a inteligência artificial da Meta se recusava a criar material de campanha para o presidente, ao mesmo tempo que atendia pedidos semelhantes em relação ao senador.
Na quinta (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta adotasse medidas para garantir tratamento igualitário às campanhas, prevendo multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
“Se a isonomia é de regras e de critérios, como corretamente assentou a decisão, novas diligências devem ser ordenadas pela Meta, agora consideradas as denúncias da campanha adversária”, diz a manifestação da campanha de Flávio.
Na sexta-feira, procurada pela Folha, a equipe do filho de Bolsonaro havia negado que houvesse qualquer problema com as contas do candidato no Instagram e WhatsApp. “A campanha cumpre todas as regras da plataforma e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, por isso, não registrou nenhum problema com a conta de anúncio do candidato, que segue operando de maneira adequada e sem interrupção.”
No mesmo dia, a campanha ingressou com a manifestação no tribunal, pedindo que a Meta seja obrigada a impedir ações irregulares de uma série de páginas que, segundo a equipe, já impulsionaram conteúdos negativos contra Flávio.
A campanha também pede que a empresa vede o impulsionamento de fatos inverídicos ou “gravemente descontextualizados”. Os advogados querem ainda que a Meta “se abstenha de aprovar e de entregar impulsionamento de propaganda negativa contra qualquer das candidaturas que disputam o segundo turno”.
A campanha de Flávio está preocupada com a reação digital do campo petista após o primeiro turno, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Na última semana, a campanha do filho de Bolsonaro tentou derrubar o canal do WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo parlamentar, que acumula mais de 4 milhões de seguidores.
Como mostrou o Painel, ainda que prometa em seu programa um “tesouraço na censura”, Flávio já pediu, em uma única ação, o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula, sob o argumento de que estariam espalhando notícias falsas. O candidato também está numa ofensiva jurídica para tentar derrubar peças do petista que insinuam que haverá cortes em programas sociais caso Flávio seja eleito.
Folha de São Paulo



