Torcedor vendia chocolate no Mutirama para ver o Vila Nova

O amor pelo futebol também é feito de sacrifícios, lembranças e histórias que atravessam gerações. Para Geraldo Elvécio de Oliveira, de 67 anos, torcer pelo Vila Nova começou muito antes das grandes campanhas e dos jogos decisivos e da construção do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), que completou 50 anos na última segunda-feira (26). Quando chegou a Goiânia, no início dos anos 70, o jovem torcedor encontrou uma maneira de acompanhar o time do coração: vendia chocolates no Parque Mutirama e depois seguia para para assistir às partidas do Tigrão no Olímpico.
“Eu vendia chocolate no Mutirama e de lá a gente ia para o Estádio Olímpico. Em 1973, o Vila Nova ganhou do Goiás com nove jogadores. O jogo foi para a prorrogação e pênaltis. Sou torcedor daquela época”, conta o hoje aposentado Geraldinho como é conhecido pelos amigos, lembrando-se da decisão do Goianão daquele ano.
O torcedor guarda na memória momentos de uma época em que acompanhar o Vila Nova exigia mais do que disposição. Mais de cinco décadas depois, a paixão permanece, agora acompanhada da expectativa de ver o clube conquistar o acesso inédito à Série A do Campeonato Brasileiro no OBA, casa do Tigrão. Nas redes sociais, o clube postou homenagens ao aniversário do estádio.
“Estou esperançoso. Voltei ao OBA recentemente. No ano passado fui duas vezes, nesse ano já fui em cinco jogos. Sou Vila Nova desde 1973, quando mudei para Goiânia.
Emoção do clássico
Entre as recordações que carrega, Geraldo destaca a vitória mais recente do Vila Nova sobre o Goiás por 2 a 0, pela 27ª rodada da Série B de 2026. O clássico foi disputado no OBA e teve um significado especial para o colorado, que acompanhou a partida ao lado do amigo Hugo e do mais novo colorado, o sobrinho Cauã, de 14 anos. “A mãe dele é Goiás, os dois irmãos dele e o pai também, só e ele e a avó que salvaram”, relata com bom humor.

O sonho de ver o Vila Nova na Série A
Cinquentão e cheio de histórias, o OBA pode se tornar o cenário de uma das maiores conquistas coloradas. Na reta final da Série B, o Vila Nova luta por uma vaga direta na elite do futebol brasileiro, sem precisar passar pelos playoffs da competição, que serão disputados após o término da 38ª rodada entre o terceiro e sexto colocados.
Geraldo também reconhece o trabalho da atual gestão do clube e acredita que uma eventual conquista do acesso no estádio colorado teria um sabor ainda mais especial. “Eu imagino que sim, é a casa do Vila. Eu tenho que tirar o chapéu. Eu não conheço pessoalmente a diretoria, o Hugo [Jorge Bravo], mas eu tenho que tirar o chapéu para eles, porque o que eles estão fazendo pelo Vila nunca foi feito”, afirma.
Falta pouco
A expectativa para os próximos jogos em casa é grande. Ao falar sobre a possibilidade de viver mais um momento marcante no OBA, o torcedor resume a esperança que acompanha a reta final da competição. “Quem sabe vai acontecer alguma coisa maravilhosa lá sábado, às 17h30”, diz Geraldo.
Matematicamente, o Vila Nova ainda não consegue garantir o acesso neste fim de semana. Para isso, o Tigrão precisa vencer os concorrentes diretos Juventude no sábado (31) às 17h30, e também o Criciúma, no dia 7 de novembro, ambas as partidas no OBA, pela 36ª e 37ª rodadas, respectivamente.



