Embaixada dos EUA em Brasília classifica vitória de Lula como ‘definitiva’

Um relatório diplomático elaborado pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições como “definitiva” e “surpreendente”.
Intitulado “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”, o documento obtido pelo jornal Folha de S. Paulo, encaminhado ao Departamento de Estado estadunidense, assinala que a votação transcorreu de forma majoritariamente pacífica e sem questionamentos internacionais capazes de comprometer o pleito.
No informe diplomático revelado pelo jornal, a representação estadunidense registrou que missões de observadores internacionais, como a da Organização dos Estados Americanos (OEA), avaliaram a eleição como organizada e declararam não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados”.
O texto aponta que a prorrogação do horário de votação por duas horas em todo o país, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizada pelo ministro Cristiano Zanin após pedidos das campanhas devido a problemas logísticos no transporte público, teve impacto insignificante na apuração.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados no relatório, apenas 34 mil votos foram registrados após as 17h, montante que corresponde a 0,03% do total de votantes e que incluiu eleitores que já estavam nas filas ao horário regular de encerramento.
A diferença final em favor de Lula foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, também ratificou que a extensão do horário não alterou o resultado das urnas.
O documento diplomático relata ainda que integrantes do PL manifestaram reservadamente o receio de que a insistência de Flávio Bolsonaro em contestar a derrota pudesse provocar uma crise política no Brasil sem qualquer respaldo jurídico.
A avaliação da embaixada contrasta com as declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que questionou o processo eleitoral brasileiro e classificou a votação como “uma vergonha”, sem qualquer prova de fraude.



