A estratégia de Flávio Bolsonaro que pode se mostrar equivocada

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo virou mais um elemento da estratégia política de Flávio Bolsonaro. Durante o VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o senador e pré-candidato à Presidência foi citado por associar a eliminação da seleção ao governo do presidente Lula. Para o editor de Política de VEJA, José Benedito, porém, a iniciativa dificilmente produzirá o efeito esperado. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Flávio publicou nas redes sociais que, desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder, o Brasil “nunca mais ganhou nada, nem no futebol nem para os brasileiros”, concluindo a mensagem com a frase: “Perdemos a Copa, mas vamos ganhar o Brasil”. Eduardo Bolsonaro adotou discurso semelhante ao relacionar a derrota da seleção ao governo federal.
Desde que o PT chegou ao poder, em 2002, o Brasil nunca mais ganhou NADA, nem no futebol nem para os brasileiros.
Perdemos Copa, mas vamos ganhar o Brasil! pic.twitter.com/haFenDJgX4
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 5, 2026
A derrota da seleção pode influenciar a disputa política?
Para José Benedito, a tentativa de transformar a eliminação da seleção brasileira em argumento político dificilmente encontrará respaldo entre o eleitorado. O editor afirmou que pesquisas de opinião indicam que os brasileiros responsabilizam fatores ligados ao desempenho da equipe dentro de campo, e não o governo federal.
Na avaliação de Benedito, o desgaste provocado pela derrota permanece restrito ao futebol e não tende a produzir efeitos na disputa política. “A questão é em campo, isso não vai se transferir para o campo eleitoral”, disse. Por isso, o editor considera que a tentativa de Flávio Bolsonaro de associar o resultado da seleção ao governo Lula “não vai colar”.
Por que o tarifaço pode se voltar contra Flávio Bolsonaro?
Na avaliação de José Benedito, a tentativa de Flávio Bolsonaro de responsabilizar o governo Lula pelos efeitos do tarifaço segue a mesma lógica de transferir para o adversário o desgaste político provocado por um tema que, segundo ele, tende a prejudicar o país.
“É fato que essa questão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos vai pegar mal. Isso vai ser ruim para o país. Isso vai ser negativo para o país. Então a ideia é jogar no colo do outro”, afirmou.
O editor observou, no entanto, que essa estratégia esbarra na percepção do próprio eleitorado. Segundo ele, pesquisas recentes indicam que parte dos brasileiros associa a atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos ao endurecimento da política tarifária americana, “mesmo que ele não tenha tido papel nenhum”. “Essa é uma coisa que já está colocada”, disse.
A ida aos Estados Unidos pode surtir o efeito contrário?
Benedito também questionou a eficácia da participação do senador na audiência pública sobre o tema nos Estados Unidos. Segundo ele, a presença de Flávio dificilmente teria capacidade de alterar uma discussão que reúne mais de uma centena de participantes e entidades.
“Não vai ser numa audiência dessa, com mais de 100 pessoas e entidades participando, que um senador da República, pré-candidato presidencial, vai fazer com que mude o discurso ali”, afirmou.
Na avaliação do editor, o efeito pode ser justamente o inverso: “Acho que até pior para o Flávio, porque ele vai acabar colando cada vez mais a sua imagem a esse tarifaço”. Se as tarifas produzirem os impactos negativos esperados, concluiu, essa associação tende a ampliar o desgaste político do senador.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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