A história da Copa também se faz com goleiros

Imagine ficar embaixo de uma trave de 7,32 metros de largura por 2,44 metros de altura, medidas oficiais da Fifa, e ser bombardeado pelos melhores atacantes do mundo. Pois é, é preciso muita coragem para ser goleiro.
Nesta Copa, já apelidada de Mundial das Estrelas em razão do desempenho de craques como Messi, Mbappé, Harry Kane, também há espaço para as histórias dos que guardam as metas dos times, sejam veteranos ou novatos, uns mais felizes que os outros.
A começar por Vozinha, arqueiro de Cabo Verde que ajudou a seleção estreante a chegar à fase de 32 e a escrever uma das histórias mais bonitas deste mundial.
Após uma atuação espetacular contra a Espanha na primeira fase, foi uma das peças importantes no jogo heroico contra a Argentina.
A seleção cabo-verdiana acabou desclassificada, mas os números de Vozinha são um exemplo de como o time dificultou a vida dos argentinos. Segundo o serviço de estatísticas Sofascore, o goleiro fez oito defesas debaixo da trave e três saídas do gol bem-sucedidas.
Vozinha é a prova de que as derrotas não apagam boas atuações. O que dizer de Zion Suzuki, do Japão, que impediu um golaço de Vinicius Junior? O jovem de 23 anos realizou outras defesas importantes, mas viu sua seleção ser desclassificada pelo Brasil.
Destino igual teve Mpasi, da República do Congo. No jogo contra a Inglaterra, após a seleção africana abrir o placar, ele fechou o gol. Resistiu até os 75 minutos, quando Harry Kane marcou o primeiro da virada por 2 a 1. “O goleiro deles fez defesas incríveis”, disse o artilheiro inglês ao final do jogo.
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No quesito azarados, até agora é difícil superar Verbruggen, da Holanda, na disputa de pênaltis com o Marrocos, na fase de 32. Ao defender o chute de Rahimi, a bola bateu em seu corpo e passou por baixo dele, entrando no gol. Houve quem lembrasse do brasileiro Carlos na Copa de 1986.
Naquele ano, o Brasil foi para os pênaltis contra a França. Na cobrança do francês Bruno Bellone, a bola bateu na trave, depois nas costas do goleiro brasileiro e entrou. A seleção acabou eliminada pelos Azuis.
A história dos goleiros da Copa de 2026 também se faz com veteranos. Caso do alemão Neuer, campeão mundial de 2014. Aos 40 anos, ele se despediu de sua seleção após a eliminação nos pênaltis pelo Paraguai, em mais uma campanha decepcionante da Alemanha.
Com participação em seis Copas, o uruguaio Muslera, 40, também teve uma despedida infeliz. Falhou na derrota por 1 a 0 contra a Espanha, ainda na fase de grupos, resultado que tirou a Celeste do mata-mata. Diante disso, pediu para ser substituído no segundo tempo.
O Mundial deste ano ainda anotou a quebra de um recorde que durava 36 anos. Na vitória da Espanha sobre a Áustria por 3 a 0, Unai Simón se tornou o goleiro com maior tempo de jogo em Copas sem tomar gols, 519 minutos. Ele ultrapassou o italiano Walter Zenga, que tinha marcado 517 minutos em 1990. O último gol sofrido por Simón ocorreu no dia 1º de dezembro de 2022, contra o Japão, no Qatar.
Essas são histórias já registradas nesta Copa, mas haverá muito mais: despedidas, defesas espetaculares, classificações nos pênaltis, falhas. Novos capítulos que ainda serão escritos.
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Esporte / Folha de São Paulo



