Tecnologia

A nova aposta de Zuckerberg para tirar a Meta do atraso na IA

Mark Zuckerberg apresentou uma nova estratégia para a Meta avançar na inteligência artificial: ampliar o acesso aos modelos e destinar mais recursos às comunidades próximas aos data centers da empresa.

Continua após a publicidade

Segundo o The Wall Street Journal, o plano inclui novos modelos de pesos abertos, propostas para políticas de segurança e um fundo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,08 bilhões) para comunidades locais.

Logo da Meta na fachada de um prédio
A Meta pretende investir até US$ 145 bilhões em gastos de capital neste ano, principalmente em data centers. – Imagem: Derick Hudson/iStock

Zuckerberg quer ampliar o acesso à IA

Em um manifesto, o CEO da Meta defendeu uma abordagem baseada na distribuição ampla da tecnologia. Para ele, concentrar sistemas avançados em empresas, governos ou outras instituições poderia aumentar o desequilíbrio de poder.

Se nossas crenças e princípios prevalecerem, então o equilíbrio de poder favorecerá os indivíduos e um futuro melhor para todos.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, em trecho do manifesto.

A Meta ainda tenta alcançar Anthropic e OpenAI na corrida pelos modelos mais avançados. A empresa aposta em uma estratégia mais aberta justamente enquanto busca recuperar espaço nesse mercado.

Entre os principais pontos do plano estão:

  • lançamento de novos modelos com pesos abertos;
  • criação de um fundo de US$ 1 bilhão para comunidades próximas aos data centers;
  • propostas para testes de segurança de novos modelos;
  • possibilidade de desenvolvedores destilarem modelos uns dos outros;
  • maior participação do conselho da Meta nos critérios de segurança dos sistemas.

Dois novos modelos estão a caminho

A Meta lançará o Muse Glimmer, modelo cujos pesos poderão ser baixados pelos usuários. Nas próximas semanas, a empresa também pretende disponibilizar uma versão com pesos abertos do Muse Spark 1.2, seu modelo mais avançado.

A decisão alimenta uma discussão importante no setor: sistemas avançados de IA devem ser distribuídos abertamente ou permanecer sob controle de laboratórios que mantêm seus códigos restritos?

Zuckerberg também propôs que o governo dos Estados Unidos trabalhe com empresas na realização de testes de segurança de novos modelos. Outra ideia é permitir que desenvolvedores façam a destilação entre modelos.


Celular e monitor exibindo logomarca da Meta AI após lançamento do Muse Spark
Zuckerberg defende que a IA coloque mais poder nas mãos dos usuários, em vez de concentrá-lo em grandes instituições. – Imagem: Regi Cris/Shutterstock

Data centers também entram no plano

A estratégia depende de uma grande expansão da infraestrutura de IA. A Meta prevê investir até US$ 145 bilhões (cerca de R$ 736 bilhões) em gastos de capital neste ano, principalmente na construção de data centers. Até 2028, o planejamento chega a US$ 600 bilhões (aproximadamente R$ 3,04 trilhões).

Leia mais:

A empresa também pretende direcionar mais recursos às comunidades próximas dessas instalações. Zuckerberg citou Richland Parish, na Louisiana, onde professores receberam bônus de US$ 50 mil (R$ 254 mil) financiados pelo aumento da atividade econômica perto do campus de data center da Meta.

Continua após a publicidade

“Todos nós nos beneficiaríamos ao descobrir juntos os acordos comunitários necessários para permitir um desenvolvimento sustentável em todo o país”, afirmou Zuckerberg.

A movimentação ocorre em meio à crescente oposição à construção de data centers nos Estados Unidos e à cobrança de investidores por retornos mais rápidos sobre os investimentos da Meta em inteligência artificial.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.


Olhar Digital

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo